A Warner e a DC comics têm um histórico conturbado nos cinemas e ainda estão tentando dar coesão ao seu universo cinematográfico. Depois de uma tentativa de Coringa com Jared Leto que muita gente prefere esquecer, dia 3 de abril desse ano foi anunciado um novo filme do personagem estrelando Joaquin Phoenix como Arthur Fleck, trabalhador e cidadão de Gotham.

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O filme se inicia estabelecendo que a cidade está um caos — lixeiros em greve e sujeira se acumulando por todos os lados. Conforme a narrativa avança, isso progride para uma preocupação com ratos e violência. Uma tensão popular permeia todo o filme e é constantemente representada como uma indignação da população com a minoria mais rica da cidade.

Arthur é um homem tentando sobreviver como pode a esse ambiente hostil e trabalha como palhaço de eventos como visto no trailer — que, por sinal, basicamente entrega todo o filme, mas sem estragar a narrativa ou tirar do espectador a experiência de surpresa com as reviravoltas que são constantes no enredo.

O ator teve de perder mais de 22kg para interpretar o papel. Foto: Reprodução/Trailer

Além da aparência magérrima e frágil, Arthur tem uma postura tímida e uma voz quase inaudível. Por várias vezes durante o filme as pessoas pedem para que ele repita o que disse por conta de sua postura introvertida. Apesar de sua aparência ser a mesma, sua postura e atitude evoluem de maneira surpreendente durante o filme enquanto ele se transforma.

A evolução de Arthur em direção ao Coringa se baseia em suas conexões, sendo que as mais fortes são sua mãe, Penny Fleck (Frances Conroy), que o chama pelo apelido carinhoso de “Feliz”; seu ídolo Murray Franklin (Robert De Niro), ao qual ele assiste religiosamente na televisão junto de sua mãe além de servir como fonte de inspiração para seguir seu sonho de ser comediante; e sua vizinha Sophie Dumond (Zazie Beetz), pela qual ele se apaixona depois de um encontro no elevador.

A imagem do pôster é o momento exato da celebração do nascimento do Coringa, é poético e emocionante. Foto: Reprodução/Trailer

Conforme o filme se desenrola e Arthur se transforma no Coringa, sua confiança se torna visível pela postura e pelo olhar. O clímax do filme é bem próximo ao final quando Arthur é convidado a participar do programa de Murray e aparece no camarim como Coringa esperando o momento de sua entrada triunfal. Ele tem uma postura intimidadora e confiante que em nada lembra o tímido palhaço do início do filme.

Como dito pelo próprio diretor Todd Phillips, a interpretação de Joaquin Phoenix de Arthur é a de “um cara que está procurando uma identidade e acidentalmente se torna um símbolo […]” e isso é visível durante o desenrolar da trama, até o ponto em que Coringa se vê no centro das atenções e é identificado mais como um justiceiro do que como um vilão.

Olha essa postura cara. Essa é a postura de um homem confiante e que não tem nada a perder. Foto: Reprodução/Trailer

Resumindo o filme e colocando um pouco da minha opinião encerro dizendo que Coringa é uma saga em busca de felicidade, se coloca facilmente na posição de melhor filme de origem dos novos filmes da DC, conseguiu com maestria atender às expectativas de quem estava ansioso pela estreia e mostra mais uma vez que o caminho do realismo iniciado com a trilogia do Nolan é o melhor caminho a ser seguido para alcançar um futuro DCU (Universo Cinematográfico da DC) que faça jus aos personagens que a empresa tem à disposição.