Após uma sequência de acertos com a remasterização da trilogia clássica e com o relançamento de Crash Team Racing, o marsupial mais icônico do mundo dos games está de volta em Crash Bandicoot 4: It’s About Time, que foi lançado em 16 de outubro para PlayStation 4 (PS4) e Xbox One. Esta é uma aventura inédita que não deve em nada à sua fundação — muito pelo contrário: o game traduz a fórmula para a atual geração e a refina com um gameplay divertido, intuitivo e muito desafiador. Confira todos pontos positivos e negativos a seguir com o review completo de Crash Bandicoot 4: It’s About Time.

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Crash Bandicoot 4: It’s About Time traz aventura inédita de altíssima qualidade; veja review. Foto: Divulgação/Activision

Uma viagem atemporal

Nesta nova aventura desenvovlida pela Toys For Bob e publicada pela Activision, Crash Bandicoot e Coco devem enfrentar velhos inimigos como Neo Cortex, Dr. Nitrus Gin, Dr. Nitrus Brio e Nefarious Tropy, que encontram uma forma de viajar entre fendas temporais e se vingar da derrota que sofreram 22 anos atrás. Com o poder das novas Máscaras Quânticas, que surgem quando acontecem perturbações no multiverso, o jogador viajará por cenários repletos de cor e carisma.

A estrutura do jogo é bastante simples: existem dez mundos à disposição e as fases podem ser jogadas tanto com Crash Bandicoot como com Coco Bandicoot, mas há rotas exclusivas que são jogadas como Tawna, Dingodile e o próprio Dr. Neo Cortex — todos desbloqueados ao longo da campanha. Dependendo do quão bom for o desempenho do jogador em cada fase, é possível desbloquear as chamadas Fitas Flashback, que concedem acesso a mais de 20 desafios que retratam o “treinamento intenso” dos marsupiais em 1996 para liderarem o exército maligno do antagonista.

A história está cheia de momentos engraçados que ficam ainda mais marcantes com a dublagem em português de Brasil, que é de altíssima qualidade e sem dúvidas um dos pontos mais positivos do game. Houve um grande cuidado na localização, deixando os personagens ainda mais carismáticos, e isso agrega muito valor à experiência dos jogadores brasileiros.

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Há vários personagens jogáveis com mecânicas únicas, mas Crash e Coco correspondem ao gameplay padrão. Foto: Divulgação/Activision

Um show de criatividade

Ainda no campo dos grandes destaques do game, é impossível não citar o level design. As fases trazem muito do que [re]vimos em Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, com saltos que devem ser friamente calculados e inimigos posicionados de forma estrategicamente cretina, porém as novas Máscaras Quânticas dão um tom único à aventura.

O jogador é apresentado às Máscaras gradativamente e cada uma traz um poder que influencia diretamente em como progredimos na fase em determinadas seções. Entre as mecânicas que elas trazem, estão a câmera lenta, a inversão de gravidade e a habilidade de materializar objetos ocultos. Todas elas são igualmente divertidas e levam tempo para serem dominadas, mas o que mais impressiona é o quão naturalmente o level design faz uso delas.

Graças a essas mecânicas, as fases também ficaram mais longas, mas é importante ressaltar que em nenhum momento elas chegam a ficar enjoativas. Sempre tem alguma novidade no caminho — seja um inimigo diferente, uma seção de plataformas completamente inédita e até mesmo trechos sobre trilhos que lembram muito a série Donkey Kong Country.

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As frustrações vão muito além do gameplay e chegam a virar um problema em novo jogo da série. Foto: Divulgação/Activision

Fator replay com uma grande dose de frustração

Desde os primórdios da franquia Crash Bandicoot, existe a cultura de repetir as fases para concluí-las da forma mais otimizada possível. Isso também está presente no novo game e com muito primor, com uma série de objetivos secundários para estender a sua vida útil — e sem tornar a experiência maçante.

Completando um total de seis requisitos nas fases, incluindo objetivos como morrer no máximo três vezes, quebrar todas as caixas e encontrar uma joia escondida, é possível desbloquear uma skin temática do nível jogado, uma novidade na franquia. A coleção vale tanto para Crash como Coco e é um ótimo incentivo para rejogar várias vezes e aprender cada sujeira da fase, mas seria muito melhor se não fossem as telas de loading absurdamente demoradas.

Quando estamos focados em pegar todas as caixas ou morrer o mínimo possível, é comum reiniciarmos a fase imediatamente quando algo dá errado. O problema é que, em Crash Bandicoot 4, isso obriga o jogador a esperar aproximadamente um minuto, tornando a busca pelo 100% muito mais frustrante do que deveria ser. Isso é algo que pode ser resolvido com a chegada da nova geração de consoles, mas poucos têm condições para fazer esta transição de imediato no Brasil devido à situação financeira do país.

Essa característica é particularmente mais frustrante quando olhamos para o gameplay. Tradicionalmente, um dos maiores inimigos na franquia Crash Bandicoot é a profundidade do cenário, que prega muitas peças na hora de pular sobre inimigos ou obstáculos. Há opções de acessibilidade que adicionam, por exemplo, uma sombra de maior contraste logo abaixo do personagem, indicando exatamente onde ele cairá, mas isso não torna o jogo necessariamente menos desafiador e prevalece aquele sentimento de que “o personagem não respondeu direito ao meu comando”.

As mecânicas do Dr. Neo Cortex, particularmente, não são tão fluidas quanto poderiam ser e podem render vários momentos de estresse. Como ele utiliza uma arma para transformar os inimigos em plataformas, é preciso lutar contra a “mira” para acertar a direção. Por algum motivo, é possível atirar para todas as direções mesmo em trechos completamente 2D e isso só serve para atrapalhar. Dingodille e Tawna também insistem em mecânicas de mira e trazem muitas frustrações ao gameplay.

O fator replay é um dos grandes destaques de It’s About Time. Foto: Divulgação/Activision

Modos N. Verted e multiplayer offline

As diferentes formas de jogar Crash Bandicoot 4: It’s About Time não param por aí. Após um determinado ponto da história, o jogador recebe acesso às fases no modo N. Verted — que, como o nome sugere, são versões invertidas dos estágios já jogados. Por mais que tudo pareça muito familiar, o jogador tem que reaprender caminhos e a posição de armadilhas como se fosse a primeira vez que ele passa pela fase.

Além disso, as fases no modo N. Verted têm filtros de imagem únicos que brincam um pouco com a percepção sobre tudo o que está ao redor. Alguns até reagem aos saltos e giros, emitindo uma onda que revela o que está à frente, enquanto outros têm contrastes que facilitam a descoberta de caixas escondidas e outros segredos. Esta é, com certeza, uma nova forma de jogar muito bem-vinda para quem quer um gosto a mais da aventura após um primeiro zeramento.

Já para quem deseja uma experiência em multiplayer local, o modo Batalha Bandicoot permite que até quatro pessoas compitam pelo melhor tempo para concluir as fases ou para decidir quem quebra mais caixas em desafios. Uma vez que chegar ao checkpoint, o jogo avisa para passar o controle para outro jogador e conta o tempo individualmente.

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A Toys For Bob se provou como a escolha certa para conduzir o mascote daqui em diante. Foto: Divulgação/Activision

Veredito

Crash Bandicoot 4: It’s About Time brilha pelo seu carisma, criatividade e respeito às origens, ofertando uma legítima sequência que os fãs esperam já há mais de duas décadas. O fato é que nem sempre o “respeito às origens” é o que basta para trabalhar com uma franquia clássica nos dias de hoje, e o game felizmente não tem medo de inovar ao trazer as Máscaras Quânticas e intensificar o fator replay com suas skins desbloqueáveis.

Aos mais sedentos por desafio, o jogo é mais frustrante do que deveria por problemas de otimização nos consoles e caixas de colisão desajeitadas, mas o conteúdo é o suficiente para entregar dezenas de horas de gameplay e matar as saudades do marsupial neste que é sem dúvidas o melhor jogo da série na era pós-Naughty Dog.

Após provar sua competência em Crash Bandicoot N. Sane Trilogy e Spyro Reignited Trilogy, fica claro que a Toys For Bob é a escolha certa para conduzir franquias tão icônicas como essas daqui em diante — e o futuro é promissor.

PRÓSCONTRAS
Localização em PT-BRTempo de loading
História divertidaCaixas de colisão desajeitadas
Gameplay variadoMecânicas de mira
Fator replay

A cópia do jogo foi cedida pela assessoria da Activision para análise.