Não é de agora que a CyberConnect2 é referência quando pensamos em adaptação de animes no mundo dos games. Desde o lançamento da franquia Ultimate Ninja Storm, de Naruto, a empresa foi a responsável por definir um novo patamar no que diz respeito à narrativa e cenas cinematográficas nesse estilo de jogo. Agora, a mesma CyberConnect2 veio à tona para entregar uma adaptação fiel de um dos maiores sucessos da atualidade: Demon Slayer, ou Kimetsu no Yaiba.

Lançado em 13 de outubro para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S e PC, Demon Slayer: The Hinokami Chronicles segue a mesma fórmula à exaustão, e não vai muito além disso. O jogo traz um foco acentuado no conteúdo single-player e entretém tanto aqueles que já conhecem a obra como também os que pretendem experienciar a história pela primeira vez. Confira, nas próximas linhas, o review de Demon Slayer: The Hinokami Chronicles.

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Demon Slayer: The Hinokami Chronicles impressiona pela fidelidade com a obra original. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Simplicidade que dá certo

Demon Slayer: The Hinokami Chronicles é um jogo de luta em arena 3D, uma das especialidades do estúdio CyberConnect2. Sua premissa é que qualquer pessoa, independente do nível de experiência, consiga se divertir e realizar golpes bonitos, acompanhados por animações dinâmicas e de altíssima qualidade. As partidas acontecem em duplas, então os jogadores devem escolher dois personagens do elenco modesto que traz até 18 lutadores desbloqueáveis.

Existem apenas dois botões de ataque, sendo um para sequências comuns e outro para golpes especiais, que gastam barra. As variações dependem da direção para a qual o jogador pressiona o analógico, assim como acontece na série Ultimate Ninja Storm. Além disso, é possível pular, agarrar, defender, esquivar-se rapidamente e realizar uma investida contra o adversário. Há, ainda, barras de especial que permitem fortalecer os golpes do personagem, realizar um especial cinematográfico e outras técnicas avançadas, como cancelamento de movimentos.

Não tenho dúvidas de que houve uma preocupação em criar um sistema balanceado e sem muitas complicações. Os personagens seguem uma “receita” pré-definida, mas com pequenas variações que atribuem uma identidade própria. Os combates são realmente engajantes e divertidos e mostram como a desenvolvedora segue sendo referência no gênero.

Nota-se, no entanto, que o lançamento do jogo foi acelerado para coincidir com a estreia do novo arco do anime. Isso acabou custando caro, pois o jogo traz um limite de 30 FPS mesmo no PC e consoles de nova geração, que deve ser corrigido via atualização no futuro. Além disso, o elenco peca na falta de Onis jogáveis, que serão adicionados gratuitamente com o tempo — começando por Rui e Akaza, em novembro. Tudo isso já poderia ter vindo no jogo base.

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A história de Demon Slayer: The Hinokami Chronicles retrata os eventos até o Trem Infinito com muitos detalhes. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

História em todos os detalhes

O modo de história é o principal motivo pelo qual The Hinokami Chronicles é um prato cheio para os jogadores casuais. A trama abraça os eventos da obra original até o filme do Trem Infinito e impressiona pela atenção aos detalhes. Os jogadores podem esperar aproximadamente oito horas de gameplay.

Aqui, não acompanhamos apenas as lutas, mas também toda a construção dos personagens entre seus principais acontecimentos com cutscenes que fazem acreditar que estamos assistindo ao anime. Essa sensação é ainda maior graças ao elenco de dublagem e trilha sonora original, que são os mesmos da série animada.

Em vários momentos, os jogadores devem explorar o cenário para chegar aos objetivos, com algumas lutas com demônios intermediários pelo caminho. Embora o conceito seja interessante, a execução não é das melhores. Os cenários são muito simples e não instigam a curiosidade, sendo compostos sobretudo por corredores. O máximo que os jogadores podem encontrar são fragmentos de memória, que trazem mais detalhes dos personagens, e os chamados Kimetsu Points, utilizados para destravar recompensas in-game.

O público brasileiro tem de colocar na balança, no entanto. O jogo é bastante denso em diálogos e não traz localização em português do Brasil, além de custar R$ 299,90 em sua edição base. Embora os eventos da história sejam o ponto alto do jogo, realmente recomendo esperar alguma promoção. Afinal de contas, viver no Brasil está muito caro.

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Os momentos de exploração também servem como instrumento narrativo. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Versus? Só se for offline…

Os entusiastas de partidas contra amigos e outras pessoas ao redor do mundo precisam ter em mente que o modo online de Demon Slayer: The Hinokami Chronicles é sofrível. O netcode, baseado em delay, proporciona partidas muito instáveis e com travadas constantes. Além disso, não existe uma opção para criar salas com mais de um amigo ou uma opção de espectador para promover eventos online e outras atividades.

Como os modos versus sempre são um grande atrativo em jogos de arena, é uma pena que o lançamento não tenha buscado aumentar o leque de jogadores com um online funcional, ou até mesmo fomentar a sua competitividade em meio à pandemia. Aqueles que querem jogar com amigos devem recorrer ao multiplayer offline, no conforto do sofá, para aproveitar o jogo como ele foi projetado para ser — sem maiores dores de cabeça.

Alguns desses problemas podem ser facilmente resolvidos via atualização. Considerando que a desenvolvedora continuará adicionando conteúdos com o tempo e que o jogo já passou da marca de um milhão de unidades vendidas, existe a possibilidade de otimizações que prolonguem sua vida útil. Só resta esperar e torcer.

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Assim como o anime, Demon Slayer: The Hinokami Chronicles brilha nas animações de altíssima qualidade. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Veredito

Com gráficos de ponta que não devem à obra original, Demon Slayer: The Hinokami Chronicles impressiona do início ao fim. Aqueles que já conhecem a obra de Koyoharu Gotouge devem se interessar bastante pela fidelidade aos acontecimentos do anime e mangá, enquanto os viajantes de primeira viagem podem recorrer ao jogo para experienciar a trama pela primeira vez.

As inspirações em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm são gritantes, mas não são motivo de demérito. Aqui, a CyberConnect2 usou toda a sua experiência para entregar um jogo balanceado, simples e divertido, com grande foco em conteúdo single-player e com animações de ponta que são marca registrada do estúdio.

Só é uma pena que as funcionalidades online foram negligenciadas, especialmente em tempos de pandemia. O público brasileiro também fica de escanteio com a falta da localização em português do Brasil e com o preço de lançamento nas alturas. Caso o jogador realmente esteja interessado no lançamento, vale esperar uma promoção ou dividir a compra com algum amigo de confiança.

Cópia cedida pela publicadora para a produção de review

PRÓSCONTRAS
Animações de altíssima qualidadeFalta de localização em PT-BR
Combate simples e divertidoAusência de Onis jogáveis no lançamento
Modo história fiel à obra originalGameplay travado a 30 FPS
Personagens desbloqueáveisModo online sofrível