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Final Fantasy VII Remake INTERGRADE no PC: um port óbvio

Após quase dois anos de espera, Final Fantasy VII Remake Intergrade finalmente chegou ao PC, através da Epic Games Store. Antes exclusivo para plataformas PlayStation, o jogo reimagina um dos maiores clássicos do mundo dos games com visuais de ponta, além de adotar mecânicas de RPG de ação para tornar a experiência mais dinâmica e intuitiva.

Embora agora mais pessoas tenham a oportunidade de jogar, será que a experiência saiu à altura do que os entusiastas de PC esperam e compensa o preço cheio cobrado pela loja da dona de Fortnite? Confira, nos parágrafos a seguir, uma análise técnica sobre a versão de Final Fantasy VII Remake Intergrade para PC.

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No PC, Final Fantasy VII Remake Intergrade traz todo o conteúdo dos consoles para que mais jogadores possam experimentar. Foto: Divulgação/Square Enix

Antes de mais nada, do que se trata Final Fantasy VII Remake?

Lançado originalmente em 2020, Final Fantasy VII Remake tem a missão de dar maior profundidade ao mundo de Midgar, que corresponde a um pequeno fragmento do jogo original de 1997. O resultado foi uma experiência que, ao mesmo tempo em que respeita o legado do clássico, não se vê presa a amarras e ousa em vários aspectos narrativos, de modo a entregar algo novo até mesmo para fãs de longa data.

Em termos de gameplay, o Remake chama a atenção pela sua responsividade. Mesmo quando há três personagens para serem controlados ao mesmo tempo, o jogador tem total consciência do que acontece em combate. A possibilidade de deixar o tempo em câmera lenta para aplicar comandos remete ao tom mais estratégico de RPGs clássicos e funciona muito bem. Além disso, a sensação de desbloquear novas habilidades e desferir combos que atordoam os inimigos é muito satisfatória.

A versão Intergrade, assim como no PlayStation 5, traz melhorias técnicas compatíveis com a atual geração de consoles, incluindo suporte à resolução 4K e jogatina em até 60 quadros por segundo. Além disso, este relançamento para PC já inclui o conteúdo adicional de história estrelado pela personagem Yuffie Kisaragi.

E no PC, como ficou?

Agora, sobre Final Fantasy VII Remake INTERGRADE (que baita nome!) para PC: não estou dizendo que é impossível jogar, ao nível de Cyberpunk 2077 no PS4, mas certamente, quando se trata de PC, é tudo sobre customização da experiência a fim de que o jogo se ajuste às configurações da máquina. E é exatamente aí onde o problema começa.

Para início de conversa, o port é completamente agnóstico ao sistema que você estiver utilizando para executar ele, ou seja, não há nenhum tipo de checagem por parte da engine para saber quais resoluções seu sistema suporta, ou até mesmo se seu monitor é HDR, ficando óbvio no momento em que o jogo permite habilitar o HDR em monitores SDR, resultando em uma verdadeira bagunça nas cores do game.

Nos controles, o mouse e teclado funcionam bem, a câmera é fluida e não há problemas como aceleração de mouse. Para aqueles que têm preferência por controles, há compatibilidade nativa tanto com o DualShock 4, quanto com o DualSense do PS5.

No aspecto configurações gráficas… Bom, é complicado. O jogo traz apenas duas opções de ajuste, fora a resolução: Resolução das Texturas e Resolução das Sombras, sendo que nas duas opções só é possível escolher entre Alto e Baixo. É isto, fim de papo.

A esse ponto fica óbvio que a versão é realmente um port direto e sem muitos ajustes da versão do PS5, evidente também no uso extensivo de processamento paralelo (shaders assíncronos), tecnologia comum nos consoles, porém ainda na infância aqui no PC, e a impossibilidade de desligar a resolução dinâmica, a menos que se faça uso de mods para esta finalidade.

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O menu de configurações è idêntico ao menu do PS5. Foto: Divulgação/Square Enix

Performance: Expectativa vs. Realidade

Em termos de performance, muitas vezes parece uma questão de sorte. Há relatos de pessoas com setups caríssimos tendo dificuldades para atingir um mínimo de 60 quadros, mas também se observa setups mais modestos tendo poucos problemas para trazer uma boa experiência de jogo. Devido à natureza agnóstica da engine, vai do sistema que melhor se adaptar às técnicas de console utilizadas, sendo observada uma estabilidade melhor em hardware da AMD. No geral, foi possível atingir 60 quadros com hardware bem modesto para os padrões atuais.

Devo reportar que, apesar de atingir 60 quadros em maioria das situações, o grande problema do jogo são os engasgos ou stutters que muitas vezes são constantes, dependendo da configuração do seu PC. O primeiro fator que pode aliviar o problema é utilizar uma placa de vídeo com pelo menos 6 GB de memória dedicada.

O segundo ponto é que, em placas NVIDIA, a performance no modo DirectX11 é bem mais estável que no DirectX12, situação que, no caso das placas AMD, é contrária, visto que a performance no DX12 é superior.

O jogo tem suporte à resolução dinâmica, configuração que vem ativada por padrão e não é possível desligá-la sem ajuda de mods. Por conta disso, dependendo da sua máquina, é possível que o recurso contribua para o aumento dos engasgos.

Quando o assunto é CPU, o jogo não é muito exigente. Simulando configurações mais modestas, não houve muita dificuldade para atingir 60 quadros, com um detalhe de que o game utiliza em excesso um só núcleo do processador. Isso não deve ser um problema para os modelos mais modernos, mas deve contribuir para os engasgos em modelos mais antigos.

Conclusão

Devido à ausência de variedade nas configurações gráficas, não há muitas variações do que se comparar. Com isso, chegamos á conclusão de que, em linhas gerais, este é o mesmo Final Fantasy VII Remake que vimos antes, em toda sua excelência.

A diversão é garantida, mas, se pensar no aspecto que a versão de PC se encontra atualmente na faixa dos R$ 350 na Epic Games Store, é de se esperar tratamento premium pelo preço, e isso é algo que não encontramos neste port. Isso significa que não vale a compra, a menos que o preço caia bastante.

Além disso, como máquinas de diferentes configurações estão com resultados inesperados ao rodar Final Fantasy VII Remake Intergrade, recomendamos que os usuários testem o jogo de alguma forma antes de desembolsar o preço cheio. Uma possibilidade é pedir a conta emprestada para algum amigo de confiança.

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