Após muita espera, Kena: Bridge of Spirits chegou ao PC (Epic Games Store), PlayStation 4 e PlayStation 5 em 21 de setembro de 2021 e faz jus às expectativas dos fãs. O título é um jogo de ação e aventura, com foco em quebra-cabeças, desenvolvido pela Ember Lab, uma iniciante na indústria de games que ficou conhecida em 2016 com um curta animado de The Legend of Zelda: Majora’s Mask.

Inicialmente, o jogo seria lançado em 2020, mas sofreu uma sucessão de adiamentos e deixou os jogadores preocupados em várias ocasiões. A demora felizmente se provou com a entrega de um produto “redondinho” e muito seguro do que faz, chamando a atenção pela sua arte e conquistando o jogador de vez pela qualidade do seu conteúdo. O The Squad jogou Kena: Bridge of Spirits no PS5 e você confere tudo sobre o game no review a seguir.

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Kena: Bridge of Spirits brilha em carisma e mescla fofura com enredo emocionante. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Um mundo que mistura beleza e tristeza

O jogo é protagonizado por Kena, a carismática personagem-título que segue os passos do pai como uma guia de espíritos. Em resumo, o seu trabalho é resolver as angústias de espíritos errantes que têm dificuldades em fazer a travessia para o outro mundo por conta própria, pois ainda há algo que os prende ao plano dos humanos. O seu desejo em se tornar mais experiente acaba levando Kena até uma linda vila cuja população desapareceu misteriosamente.

Sem entregar muito da sua premissa, vale pontuar que Kena: Bridge of Spirits trata temas como a morte e o impacto do ser humano sobre a natureza com bastante sensibilidade. Ele traz, ainda, uma dualidade interessante com a fofura das criaturinhas Rot, que acompanham o jogador o tempo inteiro, e a tristeza dos desdobramentos que levaram a vila a se tornar o que é. Em resumo, é bom preparar o lencinho, pois há momentos muito emocionantes na história.

Ainda sobre a trama, ela deixa vários detalhes da mitologia deste universo nas entrelinhas, dando muita margem para a interpretação dos jogadores. Seus personagens são carismáticos e ajudam a entender um pouco mais dos seus detalhes, mas os mais entusiastas podem se decepcionar com a falta de algumas respostas — principalmente envolvendo a própria Kena.

Vale destacar que o jogo está com legendas localizadas em português do Brasil, deixando ele mais acessível para o público brasileiro. Alguns textos, no entanto, apresentam pequenos erros de concordância e de digitação que podem ser facilmente corrigidos em atualização.

Os visuais de Kena: Bridge of Spirits encantam do início ao fim, mas o jogo é mais do que isso. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Muito mais do que “uma animação jogável”

Logo no seu anúncio, Kena: Bridge of Spirits chamou a atenção pelos seus gráficos e rendeu comparações com animações de grandes estúdios como DreamWorks e Pixar. É justificável, até porque o Ember Lab foi fundado em 2009 como um estúdio de animação. O jogo, no entanto, é muito mais do que uma “carinha bonita” e se estabelece como uma experiência realmente divertida e envolvente.

Aqui, a jogabilidade é um dos pontos mais altos. Tudo começa de forma muito simples, apresentando comandos como ataque leve, ataque pesado, esquiva e defesa. As suas mecânicas, no entanto, são progressivas e sempre apresentam alguma novidade, aumentando o repertório de Kena para lidar com diferentes ameaças. A personagem conta com uma pequena árvore de talentos e consegue novas armas com o tempo, incluindo um arco e flecha e uma bomba de energia.

As criaturinhas Rot, citadas no início do texto, também são um destaque. Elas são coletadas com a exploração do cenário, que é muito recompensadora. Além de seguir os passos de Kena, os Rots também servem para interagir com o cenário de diferentes formas, ativando mecanismos e resolvendo quebra-cabeças. Eles podem até mesmo ser utilizados em combate, fortalecendo os golpes de Kena e criando oportunidades de dano.

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Os Rots são constantes em Kena: Bridge of Spirits e são uma mecânica fundamental de gameplay. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Por fim, como uma guia de espíritos, Kena pode utilizar a sua energia espiritual para ressoar por pontos de interesse ao seu redor, descobrindo vários segredos. Todas essas mecânicas são muito intuitivas e conversam entre si, tornando a experiência muito divertida.

Ainda com relação ao combate, é interessante notar como Kena: Bridge of Spirits traz uma excelente variedade de inimigos, incluindo chefes e sub-chefes. Embora alguns se repitam ao longo da jornada, sempre há alguma novidade pela frente. O jogo se preocupa em deixar um constante sentimento de descoberta, beneficiando ainda mais a experiência.

A única ressalva que fica é com relação ao sistema de trava de mira. Por vezes, há uma certa dificuldade para acioná-lo e é muito fácil da tela focar em outros pontos de interação no meio dos confrontos, atrapalhando bastante em momentos críticos.

As cenas de Kena: Bridge of Spirits são um verdadeiro espetáculo. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Visuais e trilha sonora de ponta

Agora, vamos falar do óbvio: Kena: Bridge of Spirits é um espetáculo visual e não é exagero dizer que é um dos jogos mais bonitos da atualidade. Além de personagens com modelagens muito bem feitas e expressivas, o jogo traz cenários repletos de vegetação e com belíssimas paisagens. Vale notar que o título não é classificado como um jogo em mundo aberto, mas traz um mapa de tamanho agradável e permite que os jogadores voltem aonde quiserem para explorar mais atentamente.

Toda a sua beleza é acentuada com a presença de um Modo Foto muito interessante, que permite que os personagens façam poses únicas, que refletem suas personalidades, com o pressionar de um único botão. Alguns personagens trazem várias poses diferentes, permitindo registrar vários momentos da jornada de diferentes maneiras.

A trilha sonora também não fica atrás e colabora para tornar a experiência ainda mais memorável. As músicas utilizam muitos instrumentos percussivos e por vezes são minimalistas, mas sabem perfeitamente como deixar o jogador em êxtase nos momentos de maior ação.

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Kena: Bridge of Spirits também busca claras inspirações em The Legend of Zelda: Majora’s Mask. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Conclusão

Kena: Bridge of Spirits começa com o pé direito a jornada da Ember Lab como uma desenvolvedora de games. A sua história delicada e visuais dignos de grandes estúdios de animação são apoiados por um gameplay progressivo que sempre contempla o jogador com novas mecânicas. Os entusiastas de quebra-cabeças e exploração também devem enxergar muito valor no game, que recompensa os jogadores mais atentos. O resultado é nada menos do que impressionante e crava que o título será um forte candidato a Jogo do Ano em 2021.

PRÓSCONTRAS
História interessante e emocionanteTrava de mira problemática
Visuais de altíssima qualidadeKena poderia ser melhor aprofundada
Jogabilidade fluida e progressivaAlguns checkpoints são ingratos
Quebra-cabeças engenhosos