Quando a Square Enix anunciou o jogo dos Guardiões da Galáxia na E3 2021, muitos ficaram receosos com o lançamento de mais um título da Marvel feito pela produtora. O que é algo totalmente e compreensível, afinal Marvel’s Avengers não causou o impacto positivo que se esperava. Contudo, com Marvel’s Guardians of the Galaxy, a empresa está no caminho da redenção. Sem dúvidas, o game dos heróis espaciais da Marvel é uma das grandes surpresas de 2021.

O título foi desenvolvido pela Eidos-Montréal e está disponível para Xbox Series X/S, PlayStation 5, Xbox One, PlayStation 4 e PC. Uma versão de Nintendo Switch também está disponível via nuvem. Para entender mais dos motivos que tornam o lançamento tão especial, confira o review completo de Marvel’s Guardians of the Galaxy.

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Guardians of the Galaxy
Os heróis espaciais e disfuncionais ganham uma ótima trama. Foto: Divulgação/Square Enix

Uma história cativante, com excelentes personagens e boas surpresas

O enredo e os heróis são os grandes pontos positivos do jogo. Já me adiantando, o gameplay também é espetacular, mas a história e o desenvolvimento de personagens se destacam muito. O grande acerto da Eidos foi pegar essa equipe disfuncional, que o público já conhece dos cinemas, e misturar os conceitos dos longas-metragens e quadrinhos com as ideias que o estúdio queria colocar no projeto. No fim, temos um time que já sabemos como funciona, porém, ao mesmo tempo, com um quê de diferente.

A trama acontece 12 anos depois de uma guerra intergaláctica, em que o Thanos decidiu atacar diversos mundos e civilizações com o exército de Chitauri. Toda a galáxia se uniu para derrotar o Titã Louco e, mesmo triunfando sobre o vilão, as marcas e cicatrizes do grande conflito ainda permanecem pelos cosmos. A jornada do grupo começa quando a equipe aceita pegar um animal galáctico para Lady Hellbender, em um lugar que foi palco da guerra. Contudo, por causa de um pequeno evento, a vida dos Guardiões toma um outro caminho que eles não esperavam.

No momento que isso acontece, o time ainda não está consolidado. Eles juntaram todos os integrantes recentemente e realizaram poucas missões em conjunto. Ou seja, não temos apenas o desenvolvimento pessoal de cada membro, mas de um grupo. Com o decorrer da jogatina, os heróis estreitam laços e começam a entender as diferenças de cada um. No fim, temos o surgimento de uma família completamente estranha, porém curiosa de acompanhar.

Apesar de ser simples, o enredo é excelente e tem diversas reviravoltas e participações especiais que eu não esperava encontrar. A Eidos e a Square fizeram um ótimo trabalho com a divulgação dos trailers, pois as companhias conseguiram esconder muito bem a história. Embora as prévias tenham revelado as presenças de Adam Warlock e Mantis, o enredo tinha várias viradas e não parava de me surpreender.

Além disso, os personagens não são apenas desenvolvidos durante as cenas cinematográficas. Em Marvel’s Guardians of the Galaxy, temos vários colecionáveis que encontramos ao explorar os cenários do jogo. Quando coletamos os itens e concluímos a missão, alguns diálogos opcionais estarão disponíveis na Milano para o jogador conhecer um pouco mais do passado dos heróis.

Isso não ocorre apenas na nave espacial: em alguns locais onde não temos tantas batalhas assim, como Luganenhum (um dos locais mais interessantes do título), falas e eventos especiais dos mercenários espaciais estarão esperando o usuário, caso ele procure direito. Eu recomendo encontrar o Drax na cabeça do Celestial, pois temos um dos momentos mais bonitos do game. Na verdade, explore bem Luganenhum, você irá encontrar muitas surpresas lá.

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Guardians of the Galaxy
A exploração de cenários e customização de personagens são sensacionais. Foto: Divulgação/Square Enix

Uma gameplay extremamente divertida, viciante e cativante

Algo que me incomodou no anúncio do jogo era que iríamos controlar apenas Peter Quill/Senhor das Estrelas. Guardiões da Galáxia tem um elenco bem diversificado, cada membro tem habilidades e poderes bem diferentes, o que poderia gerar jogabilidades únicas. Então, por que limitar os jogadores a só um boneco?

Embora não tenha entendido a decisão do estúdio, posso afirmar que gostei muito do gameplay. Controlar Quill e comandar os Guardiões contra hordas de inimigos é muito divertido e viciante, pois o combate é fluido e muito frenético. Pedir para o Groot prender os adversários com as suas raízes, mandar Rocky lançar uma granada na direção deles e falar para Gamora fatiar os oponentes com sua espada é prazeroso — tudo isso acontecendo enquanto enfrento um outro lacaio. Parece uma enorme confusão, e de certa forma é, mas estamos cientes do que está ocorrendo na tela.

Fazer combos com os personagens é bastante dinâmico e nunca usamos uma única combinação. Todos os quatros golpes dos heróis são bem únicos, o que permite a realização de combos variados. Podemos unir os poderes de todos eles para derrotar um inimigo mais forte que o normal, usar um ou dois integrantes para finalizar soldados comuns ou deixar que Quill resolva tudo sozinho. De todo modo, depois de usar os atributos, temos que esperar um tempo até recarregar. Algumas habilidades levam mais tempo que outras devido ao impacto que elas causam nos lacaios.

Cada mercenário espacial tem quatro golpes. Três deles são liberados com pontos de habilidades, que são adquiridos após os confrontos. Já os golpes especiais exigem avançar na história para serem adquiridos.

Em relação aos inimigos, temos uma certa variedade de adversários, mas poderia ser maior. No começo da jogatina, eles são bem variados e encontramos cada tipo de oponente fases diferentes, porém, em um determinado momento, eles acabam se repetindo muito. É basicamente o mesmo tipo de inimigo, mas com um visual diferente. Eu gostei dos lacaios e das diferentes formas de derrotá-los, mas a Eidos poderia tê-los distribuído de uma maneira melhor.

Além de combates contra soldados comuns, também temos lutas contra chefões. Apesar dos duelos serem épicos, com boas surpresas, nem todos são grandiosos, tendo alguns que considero até esquecíveis.

Independentemente da situação, sendo lutando contra um boss ou com uma horda de minions, se a situação apertar, é possível utilizar o “Agrupamento“. A mecânica é bem simples: o jogador precisa escolher o melhor diálogo para incentivar os Guardiões. Se escolher a opção correta, o grupo ficará empolgado e o usuário poderá usar os golpes dos heróis várias vezes seguidas. Entretanto, caso escolha a opção errada, apenas Quill ganhará um bônus no combate.

Um dos destaques do “Agrupamento” é a trilha sonora: quando animamos o grupo, uma música dos anos 80 começa a tocar e, convenhamos, não tem nada melhor do que derrotar inimigos ao som de “Never Gonna Give You Up” e “The Final Countdown”, por exemplo.

Além de várias faixas musicais clássicas do século 20, o título também tem a sua própria banda, a Star-Lord. Foi com o grupo musical que Peter Quill se intitulou como Senhor das Estrelas. O mais bacana de tudo são as músicas originais da Star-Lord feitas para o jogo.

Outra ponto importante de se ressaltar em Marvel’s Guardians of the Galaxy é a exploração. Explorar os cenários e encontrar os segredos, os trajes alternativos, os colecionáveis e itens de aprimoramento para o Senhor das Estrelas é muito gostoso. O jogo instiga muito bem a curiosidade do jogador. Apesar das fases serem lineares, elas têm ramificações que chamam a atenção dos nossos olhos, pedindo para serem investigadas e é quase impossível recusar. Em todos os mundos, eu tentei procurar o máximo de itens possíveis, pois não queria avançar e deixar algum colecionável para trás. A busca fica mais natural ainda com os outros Guardiões sempre zoando e questionando o que Peter Quill está fazendo quando ele não está seguindo o caminho correto.

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Guardians of the Galaxy
Marvel’s Guardians of the Galaxy contém probleminhas que incomodam a experiência. Foto: Divulgação/Square Enix

Alguns bugs e problemas de polimento

Apesar de Marvel’s Guardians of the Galaxy ser excelente, o título possui alguns probleminhas e bugs que não deveriam ocorrer. Com um ou dois meses extras para otimização e polimento, o game seria muito melhor.

Eu joguei o jogo no Xbox One e encontrei alguns erros que me incomodaram e sequer deveriam existir. O primeiro deles foi save corrompido. Quando comecei o game, tinha apenas completado a fase inicial e um pouco do segundo capítulo. No dia seguinte, quando fui continuar a aventura, perdi os dados do primeiro episódio e tive que jogá-lo novamente.

Apesar de ter apenas perdido a primeira hora, é um pouco chato e frustrante perder o progresso feito. Além disso, também tive dois crashs na jogatina. Um deles foi durante um duelo de uma missão e o outro foi na penúltima cutscene, após derrotar o principal vilão. Esse problema me tirou bastante da emoção que eu estava sentindo na hora. O bom é que o título fica salvando automaticamente o tempo todo, então bastou eu reiniciar o game para voltar de onde parei. Mesmo assim, não é a mesma coisa. A sensação que fica é outra.

Um bug constante que tive durante todo a minha experiência foi com a Gamora na Milano. Exceto nas cenas cinematográficas dentro da nave espacial, toda vez que eu falava com ela, a sua boca não mexia. A personagem fazia as expressões e dialogava normalmente comigo, porém a boca ficava fechada toda hora e esse tipo de erro tira a imersão que o estúdio quer passar. É muito provável que numa futura atualização isso seja corrigido, mas é preciso mencionar.

Agora, o que realmente me deixou bravo foram diálogos interrompidos conforme eu passeava pelas missões. Quando estamos explorando ou depois de derrotarmos os inimigos, os Guardiões começam a conversar sobre a situação que acabaram de passar, contudo, se você avançar um pouquinho pelo cenário, o título automaticamente corta o papo que estava rolando e inicia uma diálogo totalmente novo, importante e obrigatório para a história. Isso não aconteceu poucas vezes, não. Foram várias vezes. O pior de tudo é que não tem como prever quando isso ocorre. Eu andava 20 metros e a conversa acontecia tranquilamente, mas, em outras ocasiões, bastava andar 5 metros para cortar a interação e começar outra. A solução que encontrei foi ficar parado até o papo terminar, mas essa não é a proposta.

Como joguei no Xbox One, console da geração anterior, o game deixou a desejar graficamente em alguns momentos. Apesar dos cenários serem bem diversificados e lindos, alguns mundos estavam bem feios para os padrões atuais, o que me incomodou também.

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Guardians of the Galaxy
A dublagem do jogo é boa, mas peca em algumas ocasiões. Foto: Divulgação/Square Enix

Outros pontos positivos

O jogo está cheio de easter-eggs do universo cósmico da Marvel. É um prato cheio para aqueles que acompanham os filmes da editora e também para a galera que lê os quadrinhos. Em “Luganenhum”, há uma área com várias referências para os fãs. Eu, como um bom fã da Marvel, “perdi” alguns ótimos minutos explorando cada ponto desse local. Através do modo foto, fiz diversas capturas engraçadas com Quill reagindo ao que estava diante dele. Apesar de ser um lugar pequeno e simples, ele é o suficiente. Além dele, também há outras regiões com outros easter-eggs.

A dublagem do título é fantástica. O jogo traz os mesmos dubladores dos filmes dos Guardiões da Galáxia e, mesmo gostando das vozes e das interpretações dos artistas, senti a falta de emoção em certos momentos. Em algumas horas, a atuação não encaixou com o que estava acontecendo na tela. Mesmo assim, a adaptação para o português do Brasil está espetacular. Ademais, preciso elogiar a tecnologia de sincronização que foi utilizada. É uma boa mecânica que precisa estar nos vindouros jogo. Sempre que os personagens falavam, os lábios condiziam com o que estava sendo dito.

No fim, Marvel’s Guardians of the Galaxy é um gigantesco acerto da Square Enix e da Eidos-Montréal. Infelizmente, não posso dar nota máxima ao jogo, mas gostaria. Com o game, a Square conseguiu se redimir do fiasco que foi Marvel’s Avengers. Espero que com o sucesso do título, um conteúdo extra seja lançado, pois já quero voltar para essa galáxia tão peculiar.

Com uma história excelente, personagens cativantes, cenários grandiosos e com muitos segredos e um gameplay divertido, dinâmico e super intuitivo, o jogo dos Guardiões da Galáxia é uma das grandes surpresas da indústria de jogos de 2021. Se você gosta do grupo por causa dos filmes e estava apreensivo com o título devido ao passado (não tão longínquo com Avengers), dê uma chance para o game, você não irá se arrepender.

A cópia do jogo foi fornecida pela publicadora para produção de review

Pontos PositivosPontos Negativos
Ótima históriaBugs
Excelente personagensPouca variedade de inimigos
Gameplay divertidoGráficos (nos consoles da antiga geração)
Trilha sonora icônicaAlgumas boss fights esquecíveis
Exploração de cenários