Às vezes é bom tentar algo completamente novo

Age of Wonders é uma série de estratégia por turnos, consagrada no gênero dos 4X com suas mecânicas que lembram uma variedade de jogos, mas caracterizado por ser mais rápido e conciso. Conhecida pelo tema de alta fantasia, cinco anos depois do lançamento do último jogo da série, Age of Wonders III (2014), a Triumph Studios traz o quinto jogo com um tema um tanto diferente do que a série ficou conhecida. Age of Wonders: Planetfall é o mais novo jogo da série, trazendo pela primeira vez à série uma proposta de ficção científica, mas sem abandonar às raízes de facções e raças baseadas na alta fantasia e folclore. Está disponível no PC, PS4 e Xbox One.

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Apesar do suporte a diversas linguagens, infelizmente o jogo não dispõe de tradução para português. Perguntamos aos desenvolvedores se havia planos para adição de novas linguagens ao jogo, mas eles confirmaram que não há a intenção para mais traduções oficiais serem adicionadas ao jogo.

Reprodução: Age of Wonders

O jogo conta com uma campanha segmentada. Ao fazer o tutorial, você é introduzido aos Vanguards, uma facção de humanos na qual você é colocado sob a pele de Jack Gelder, comandante de uma tripulação mandada para investigar um centro de pesquisa incumbido da tarefa de investigar um evento cósmico cataclísmico conhecido como “O Vazio”, que ficou sem comunicação após uma onda gravitacional desconhecida varrer o cosmos. A mesma onda destruiu completamente as fendas utilizadas para viagens no hiperespaço e, tendo que voltar com urgência para o centro mais próximo, se fez necessário utilizar métodos mais antigos e colocar a tripulação em sono criogênico.

Você segue o seu caminho e, dois séculos depois, ao acordarem e se aproximarem da central da facção, encontraram um lugar irreconhecível e agora você precisa investigar o que aconteceu.

Reprodução: Age of Wonders

4X? O que é isso?

Normalmente, esse tipo de jogo te sobrecarrega bastante ao ter o primeiro contato com ele: muitos menus, muitas coisas para clicar e uma infinidade de decisões a tomar. No entanto, apesar das diversas mecânicas inclusas para criar um senso de variação e customização da experiência do jogador, o gênero em si segue 4 princípios. Conheça estes princípios e o resto é colateral.

O termo nasceu dos quatro princípios deste tipo de jogo: eXplore, eXpand, eXploit, eXterminate. Em nossa língua: investigar, expandir, explorar (no sentido de tirar proveito) e exterminar.

Em Age of Wonders: Planetfall, você aterrissa em um planeta desconhecido, precisa alimentar sua colônia, conhecer o terreno, explorar os recursos disponíveis, construir um exército e ultrapassar os seus obstáculos — sejam eles um evento planetário ou os seus inimigos.

Reprodução: Age of Wonders

É Civilzation! Com XCOM! XCivs? Civscom?

O jogo conta com raças bem distintas logo no começo da campanha, que é segmentada entre elas e suas próprias buscas e necessidades. Isso tanto serve para introduzir o jogador às diferentes mecânicas quanto explicar as vantagens e desvantagens de jogar com aquela raça em específico. Os Vanguards, humanos, que falamos no começo deste review são flexíveis e boa parte do estilo de jogo se baseia em conquista e rápida expansão. Maioria de suas unidades possuem armas de longa distância. São os que possuem jogabilidade mais simples e por motivos óbvios são a raça padrão do tutorial.

Os Kir’ko são uma raça insectóide que foi escravizada por muitas outras raças e facções e agora que conseguiu sua liberdade. Agora, eles precisam encontrar um lugar tranquilo para que possam se restruturar. Estes são mais focados em combate corpo a corpo e armas psicológicas devido às suas capacidades psiônicas. Já os Dvar são uma raça meio anão (daí as fontes na alta fantasia) e meio ciborgue que tem um foco muito maior em flancos através de escavadoras ou unidades aéreas. Durante o progresso, é possível conhecer mais facções e raças, de acordo com o desenrolar das campanhas.

Reprodução: Age of Wonders

O diferencial de Age of Wonders: Planetfall em comparação ao que normalmente se encontra no gênero é que o jogo tem uma pegada muito mais rápida do que os outros — ou seja, colônias se desenvolvem mais rápido, você pode anexar setores inteiros em vez de esperar que a borda cresça lentamente.

Como já é conhecido na série, o jogo tem um mapa dividido em hexágonos e operação em turnos, do jeito que se vê em Civilization. Suas unidades são “exércitos”, com as quais, ao clicar nelas, é possível ter acesso às suas ações. Você também possui um herói, que costuma ser uma unidade mais forte que comanda aquele exército e também pode ser customizado no momento que ele sobe de nível, oferecendo diversas modificações como mais vida, mais armadura, mais dano, mais pontos de ação, além de muitos outros. Se tem algo que este jogo te dá é a sensação de que tudo pode ser exatamente do jeitinho que você quer. É perfeitamente possível criar unidades especializadas em fazer uma tarefa em específico com maestria.

O combate é feito em um modo tático separado através do qual é possível dispor suas unidades individualmente no campo de guerra a fim de obter a melhor vantagem contra o seu adversário. Estar em terreno mais alto rende maior chance de acertar os ataques; estar em cobertura completa oferece maior proteção contra ataques inimigos etc. Se você costuma jogar shooters táticos, principalmente XCOM, vai se sentir em casa.

No mapa estratégico, antes de entrar em combate, existe a possibilidade de ir para o campo de batalha tático ou batalhar automaticamente, onde a probabilidade de vitória é calculada comparando o poder de ataque de cada um dos exércitos. Mas a batalha não precisa ser necessariamente entre duas unidades: todas as unidades ocupando um raio total de 7 hexágonos podem entrar numa única batalha e fazer o mapa tático muito mais interessante.

Reprodução: Age of Wonders

Com mapas gerados proceduralmente, cada experiência de exploração tende a ser diferente, trazendo consigo uma grande variedade de facções menores que podem ou não te ajudar, dependendo do seu interesse em cumprir o que elas demandam. Caso resolva ajudá-las, alguma delas podem auxiliar com unidades exclusivas daquele grupo e criar uma variedade ainda maior de exércitos.

O ponto fraco dos modos single-player de Age of Wonders: Planetfall é a IA. As opções de diplomacia são muito limitadas e o jogo sofre do mesmo problema que Civilization VI teve logo que lançou: a IA parece estar lá só para complicar a vida do jogador e não atuar como agente orgânico daquela partida. Até mesmo a IA das facções neutras é um tanto… Tóxica. Elas dão missões constantemente em troca das mesmas unidades, mas, se você deixa de precisar daquelas unidades e já não atende mais as missões delas, passam a ser um verdadeiro encosto com ataques diplomáticos e armados constantes. A diplomacia existe, mas, se é contra a IA… Ela definitivamente não é a estrela do show.

É no multiplayer que as coisas complicam…

Enquanto é difícil encontrar algo para reclamar no modo campanha ou até mesmo nos outros modos single-player, é no multijogador de Age of Wonders: Planetfall que as coisas complicam. O multiplayer seria muito bom se não fosse pelos problemas encontrados durante a escrita desta matéria. As premissas gerais das mecânicas continuam sendo as mesmas já citadas neste artigo, sendo elas modificáveis pelo líder do lobby para tornar a experiência mais exclusiva.

Ao contrário do single-player, onde as coisas tendem a acontecer mais rapidamente, aqui elas tomam uma pegada completamente diferente. O jogo passa a ser muito mais lento. E quando digo muito, é várias horas mais lento. Mesmo com suporte a turnos simultâneos, algumas decisões que precisam ser tomadas pelo jogador fazem com que os outros jogadores não possam fazer nada até que aquela decisão seja tomada — ou seja, vai haver espera, muita espera. Já mencionei que a parte divertida do combate manual é limitada a 3 usos que só regeneram após certa quantidade de turnos? Você também é obrigado a assistir às batalhas manuais dos outros jogadores.

Mesmo oferecendo a vantagem de partidas assíncronas, ou seja, você não precisa estar conectado o tempo inteiro e apenas retornar ao jogo quando for o seu turno, não há possibilidade de alguma IA assumir o lugar de um jogador que não retornar mais à partida até o momento. Se alguém sair e não voltar mais: fim de jogo.

Performance

É sempre um compromisso do The Squad poder disponibilizar quando possível a informação se um jogo aqui revisado tem boa performance em diferentes configurações. Testamos em 3 diferentes configurações. incluindo a utilizada para escrever o review. Iremos chamar cada uma das configurações de: baixa performance (notebook simples com placa integrada Intel), média performance, (Ryzen 5 2600, RX 570) e o computador utilizado para escrever este review (Intel 8700K, GTX 1080). Todas as configurações possuem 16GB de RAM.

Utilizando como base as configurações gráficas mais altas disponíveis no jogo e resolução 1080p (1920×1080), no geral o jogo teve boa performance no computador utilizado para o review, se manteve acima dos 60 quadros até mesmo nas cenas mais intensas, que é o campo de batalha tático, mas foi possível observar que o jogo é sim bem pesado, o que de certa forma é bem incomum em jogos de estratégia.


No computador de média performance, também houve um excelente desempenho com pequenas quedas para a casa dos 55 quadros, principalmente no campo de batalha, o que é perfeitamente aceitável.

Já no notebook mais simples, utilizando como base a resolução 1280×720 e as configurações mais baixas possíveis, não foi possível alcançar sequer os 30 quadros constantes, tornando o jogo pouco recomendável para configurações mais modestas ou para o jogador casual que quer levar o jogo consigo.

É possível concluir que Age of Wonders: Planetfall tem requisitos de hardware um tanto incomuns para o gênero e infelizmente não é acessível ao jogador com apenas um notebook disponível para a sua jogatina. Parte disso pode ser explicado por falha de otimização, visto que ainda sim na configuração mais parruda, o desempenho do jogo apresenta gargalos técnicos.