A série Animal Crossing sempre me soou interessante desde seu lançamento no Nintendo 3DS com sua versão New Leaf. Mesmo tendo uma experiência não muito boa com City Folk quando mais novo, a ideia de um “simulador de vida” era algo que me chamava a atenção, mesmo com sua proposta mais caricata. Sempre fui fã de The Sims, mas não enxergava o ponto em Animal Crossing.

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No anúncio de New Horizons, mais uma vez tive aquele interesse despertado, mas, quando o dia 27 de março chegou, a comunidade me fez querer embarcar nessa viagem que está sendo a cada dia mais incrível e prazerosa.

O início da aventura!

Uma das minhas primeiras explorações. Foto: Reprodução/Raul Vinícius

No dia 27 de março, entrar na lista online de amigos do Nintendo Switch era uma sentença de tortura para não donos de uma cópia do jogo. Nove entre dez dos meus amigos estavam se aventurando nas ilhas recém-descobertas e uma grande conversa envolvendo a todos do Twitter começou a acontecer.

Nesse tempo de pandemia e isolamento social que estamos passando, Animal Crossing New Horizons conseguiu aproximar todos, mesmo que cada um esteja em sua própria casa com seu video game.

Customização de Villagers. Foto: Reprodução/Raul Vinícius

No game, começamos escolhendo as informações básicas de nosso avatar, tais como cabelo, cor, olhos, boca e nariz. Depois disso, somos convidados a escolher um layout aleatório que será a forma que a ilha terá por um bom tempo. Logo somos apresentados a nossa ilha, juntamente com 2 villagers que nos acompanharão no início da sua vida na ilha.

Mas como exploramos todas as possibilidades?

Meu primeiro projeto de ilha foi essa ponte. Foto: Reprodução/Raul Vinícius

Animal Crossing é uma franquia difícil de se explicar, mas vou tentar. No mundo do game, as horas se passam como em nosso mundo. Ou seja: se entrarmos para jogar o game ao meio-dia, será meio-dia no mundo do jogo; se entramos à meia-noite, as lojas estarão fechadas e os personagens, dormindo em suas casas.

Essa mecânica, que soa como um empecilho, é na verdade um detalhe importante, pois o game te desafia a tentar novos horários, estratégias e até mesmo repensar toda a sua rotina pessoal para que aquela dose diária do game esteja em sua vida.

Sua segunda vida

Recepção da Isabelle chegando na ilha. Foto: Reprodução/Raul Vinícius

Já que entendemos um pouco do conceito básico do game, agora é hora de experimentarmos a experiência de viver a vida em uma ilha paradisíaca. Recolher recursos do mar, minerar pedras, pescar, escavar fóseis e caçar insetos faz parte da rotina diária que a cada dia nos surpreende com uma espécie nova de criatura.

Em New Horizons, o crafting de objetos é uma grande novidade. Com toda a sorte de materiais encontrados em nossos momentos de exploração, podemos produzir cadeiras, sofás, relógios e infinitos objetos de decoração para tornar este mundo em um reflexo da nossa personalidade e gostos pessoais.

Peixes, insetos e ossos de dinossauro recheam o jogo de conteúdo. Foto: Reprodução/Raul Vinícius

O mundo de Animal Crossing funciona como um ecossistema vivo. Ou seja, todos que vivem nele contribuem na rotina e aparência da ilha. Cada NPC que aparece para morar na sua ilha traz sua casa com decoração diferente na sua parte interna e externa.

Até mesmo dar bom dia aos seus villagers/vizinhos também é ideal para manter um bom relacionamento, receber novas receitas etc. Se não der muito a atenção, os villagers ficam desanimados e se mudam da sua ilha.

A pressa é inimiga da perfeição

Lojinha do Nook Cranny disponibiliza novos itens todos os dias. Foto: Reprodução/Raul Vinícius

Um dos charmes da franquia é termos que esperar horas reais para que os projetos fiquem prontos. Reformas de casa, lojas e museus demandam que esperemos o dia passar para que todas as novidades apareçam, assim como pontes e rampas (novidades) que demandam cooperação e doação de todos da ilha.

A ferramenta de terraplanagem, desbloqueada no jogo depois de algum tempo de dedicação, permite a criação de lagos, rios e até mesmo pisos externos.

Estações, feriados e eventos

Evento de Páscoa recheou os bolsos dos villagers de ovos. Foto: Reprodução/Raul Vinícius

Desde o lançamento do game, já recebemos diversas atualizações com novos personagens vendedores sazonais como vendedores de artes, tapetes, sementes, assim como o evento de páscoa, conhecido no jogo como Bunny Day, o dia da árvore, do museu e em breve, o evento de mês do casamento (junho).

Como estamos no outono no momento desta publicação, minhas folhas já estão amareladas e caindo, logo o inverno chegará na minha ilha e esse simples fato de mudança de visual já me empolga.

Em meio a tanta liberdade, o DNA da Nintendo ainda aparece

Funcionalidade Online

Graficamente, o jogo é lindo, carismático e simpático, além de rodar de uma maneira super natural, sem engasgos e com fluidez. É sem dúvidas o jogo mais bonito da série, principalmente por aproveitar o potencial de processamento do Nintendo Switch.

Os pontos negativos do game se apresentam nas partes mais simples, que são mais uma escolha equivocada da Nintendo do que um real problema: as ferramentas agora quebram com o tempo de uso. Pás, machados e redes tem que ser refeitas e trocadas o tempo todo e a falta de indicação de desgaste das feramentas, como uma barra de dano, atrapalha uma exploração engatilhada. O método de crafiting de ferramentas também exige muitos passos, mesmo para a criação de itens básicos.

O modo online de visitar ilhas de amigos e estranhos funciona, porém com aquele velho sistema de códigos, aqui chamado Dodo Code. A conexão para entrar na ilha costuma demorar dois minutos com um imenso aviso no meio da tela comunicando que um villager está chegando ou indo embora da sua ilha.

Pra quem é Animal Crossing: New Horizons?

Conversas hilárias entre os Villagers são um dos charmes do game

Para quem procura um jogo relaxante em que investir 20 minutos por dia será mais do que o suficiente para saciar a vontade de progresso ao ver sua comunidade crescendo com o tempo, este com certeza é um jogo recomendado. Ele foge da curva de outras experiências do mercado de games e pode levar um tempo para entender sua real proposta, mas ela é muito cativante.

Além disso, o jogo também é uma excelente válvula de escape para aqueles donos de Switch que têm de encarar este período de isolamento social em razão da pandemia do novo coronavírus.