Call of Duty: Black Ops Cold War é um novo capítulo da subfranquia da famosa série de FPS da Activison, que agora revisita o conflito histórico da Guerra Fria. O jogo foi lançado em meio à transição de geração, em 13 de novembro de 2020, e está disponível para PC, PlayStation 4 (PS4), PlayStation 5 (PS5), Xbox One e Xbox Series X/S. Seja na campanha, no modo Zombies ou no multiplayer, ele se difere do seu irmão Modern Warfare, lançado em 2019, em diversos aspectos, mas também não dispensa algumas semelhanças aqui ou ali. Confira, no review a seguir, os pontos positivos e negativos de Call of Duty: Black Ops Cold War.

Veja também:

Capa do Call of Duty Black Ops Cold War

Novo ano, novo CoD!

Não é surpresa para ninguém que um novo ano sempre traz um novo Call of Duty, certo? Neste ano não seria diferente e recebemos um game que, pela primeira vez, se passa no mesmo universo que seu anterior, o Modern Warfare, e ainda assim é uma continuação direta do Call of Duty Black Ops.

Estamos vivendo um momento bem único na franquia de tiro da Activision, pois pela primeira vez temos cross-play, cross-save, cross-gen e um rank único para três jogos distintos: Modern Warfare, Warzone e Cold War. Isso é particularmente simbólico após anos em que os fãs sofrem por monetizações injustas, DLCs caríssimas, perda de ranks ao mudar de um jogo ao outro etc.

Por isso, achei válido começar o review evidenciando esta nova fase do Call of Duty. Realmente é um diferencial para a franquia e até para outros jogos do mesmo gênero, mas talvez não seja algo forte o suficiente para tomar a decisão da compra e, nas linhas a seguir, será possível entender melhor o que estou falando.

black ops cold war
Parte da campanha te leva de volta para o Vietnã

Este Black Ops tem campanha

Dentro da franquia Call of Duty, nós temos algumas subfranquias como a série Modern Warfare e Black Ops. Esta última é a que traz o game deste ano. Nós tivemos contato com ela pela última vez em 2018 com Black Ops 4, que tomou uma postura mais agressiva e ofereceu apenas os modos Mltiplayer e Zombies, dispensando uma campanha com história. Isto dividiu muitas opiniões na época, mas, neste ano, recebemos uma experiência completa, como sempre deveria ser.

No modo campanha, você dá continuidade à história do primeiro Black Ops. De início, já nos deparamos com a equipe que vai te acompanhar durante todo o jogo com um briefing da sua missão principal, ainda acompanhado do presidente dos Estados Unidos da época, Ronald Reagan. Toda a trama tenta passar uma ideia bem realista, com um enredo que poderia sim ter acontecido na época. Logo depois disso, já começa aquele tiroteio frenético já conhecido do Call of Duty.

Um pouco depois, já vamos contar com um diferencial bem bacana para o jogo: a criação do seu personagem. Não, não é uma customização completa e que você vai ver seu personagem durante toda sua gameplay — afinal, este é um jogo em primeira pessoa. Mas a customização se dá por uma biografia do seu personagem que vai descrever um pouco deste agente que recebe o nome de Bell.

Hudson é um dos personagens que os jogadores vão reencontrar

Entre missões de tiroteio frenético e explosões causadas pelos tiros do seu helicóptero, o que realmente se destaca são as missões furtivas. Elas chegam trazendo um estilo muito único para a franquia, incluindo até mesmo finalizações estilosas ao usar o ataque corpo a corpo perto de algum inimigo. Elas colocam um tempero muito único e em alguns momentos chegam a causar um desespero para conseguir realizar o que é pedido sem quebrar o stealth.

Durante a campanha, você vai se deparar com personagens que fazem parte do universo já criado pelo Modern Warfare de 2019. Além disso, também há referências aos eventos do Black Ops, então tem muito do enredo que os fãs vão adorar revisitar.

Porém, nem tudo são flores. No Modern Warfare de 2019, nós jogamos algumas missões que realmente marcaram muito. Quem aí não se lembra da missão noturna que precisamos invadir uma casa e eliminar todas as ameaças, isso tudo acompanhado da sua equipe e o incrível Capitão Price? Infelizmente, em Black Ops Cold War, há missões mais genéricas e apenas um momento ou outro traz algo variado de fato.

black ops cold war
Woods está de volta, mas faz falta a presença dele mais vezes durante toda a campanha

Além desse fato, eu senti muita falta de fazer meus objetivos da campanha ao lado do Woods. Afinal, ele é um dos personagens mais marcantes na franquia Black Ops. Sua ausência em maior parte da campanha me fez lembrar ainda mais do Capitão Price e todas suas falas marcantes.

Por fim, a campanha entrega algo em torno de 7 horas, podendo variar dependendo da dificuldade e da realização de atividades secundárias. Ela se baseia na busca de Perseus, um terrorista nazista que oferece uma ameaça para os EUA e todo o capitalismo. Durante sua campanha, você poderá realizar algumas escolhas que não geram impactos tão agressivos, mas que podem sim alterar alguns objetivos até o final. Não haverá surpresas muito grandes, mas você vai se deparar com alguns momentos bem legais, com certeza.

Siga o The Squad no Twitter e fique por dentro das novidades!

Capa do modo Zombies

Os Zombies voltaram com muita qualidade, mas com apenas um mapa no lançamento

Os CoDs desenvolvidos pela Treyarch são famosos por sempre trazerem o modo cooperativo que todos conhecem como Zombies. Este modo nos foi apresentado lá no World at War, em 2008, e continua evoluindo muito desde então. Para o Black Ops Cold War não seria diferente e recebemos o modo zombies com muitas novidades.

Há um novo método de criação de classe em que você pode usar as armas que você está evoluindo no Mutiplayer e continuar sua progressão normalmente, habilidades especiais que carregam com o tempo, perks que podem ter upgrades, blindagens que aumentam a quantidade de dano que o jogador pode receber dos zombies e vários outros pequenos detalhes que podem agradar ou não, caso o jogador seja bem raiz no modo zombies.

Desta vez, é mais fácil sobreviver aos rounds e matar os zumbis, pois é possível aplicar melhorias à sua arma ao ponto de garantir que ela sempre estará nivelada com a dificuldade do round em que o jogador está. Junto a isso, o design do mapa ajuda os jogadores novatos a não ficarem presos em becos sem saída, pois sempre há um caminho para correr e fugir.

Fica claro que o modo foi feito com muito carinho e cuidado pela produtora, ficando devendo apenas para a quantidade de conteúdo, pois há apenas um mapa para ser jogado. Geralmente temos de dois a três mapas no lançamento do jogo e, assim, fica mais difícil de enjoar. Por isso, caso você queira comprar este jogo só pelo modo Zombies, a melhor alternativa talvez seja esperar.

black ops cold war
Imagem oficial de divulgação do Multiplayer

O multiplayer tradicional peca em conteúdo

Chegamos na parte em que o Call of Duty sempre se destaca: o modo multiplayer. Aqui o Black Ops Cold War deixa bem explícito qual é o caminho que ele quer seguir, como quer seguir e o porquê disso. Desta vez temos um multiplayer que traz elementos de CoDs mais antigos — aqueles que jogamos na época do PS3 e Xbox 360. Pé no chão, mapas bem simples, animações meio travadas e gun fights frenéticos.

A todo momento neste review eu trouxe comparações diretas com o Modern Warfare, certo? Isso vai acontecer aqui no tópico de Multiplayer também. Afinal, ano passado foi a primeira vez que tivemos uma mudança de engine na franquia, modos de objetivos que podiam ter muitos jogadores simultâneos (que por sinal lembravam bastante o seu rival Battlefield), animações mais realistas, customização completa das armas e vários outros detalhes que fizeram muitos fãs antigos voltarem para a franquia. Agora, para este ano, nós perdemos o brilho nos olhos por não ter tantos avanços no jogo como houve com o jogo anterior.

Aqui, temos animações mais travadas, algo que remete muito ao que tivemos nos jogos mais antigos, armas que não possuem uma diferença sonora muito grande entre elas, movimentação um pouco mais travada, mapas que desagradam e que nem parecem terem sido desenvolvidos pela Treyarch, que sempre foi conhecida por trabalhar muito bem com os seus mapas. Além disso, houve uma mudança de killstreaks para scorestreaks, mas de uma maneira que seus pontos não resetam ao morrer e isso é MUITO ESTRANHO.

A base do jogo é bem consistente, o balanceamento é inteligente e o que está ali funciona bem, porém não são coisas que agradam muitas vezes. Por exemplo, quem não se lembra do coice que a shotgun dava no Modern Warfare e a animação de carregamento? Aqui, tudo é muito padrão, genérico. Nenhum detalhe se faz tão importante para se lembrar por mais tempo depois de jogar ou nem até mesmo durante a partida de multiplayer.

Imagem oficial de divulgação do Multiplayer

Agora o pior quesito que posso relatar do Multiplayer é, novamente, a falta de conteúdo. Este jogo traz apenas oito mapas para serem jogados nos modos tradicionais como Team Deathmatch ou Domination. Isso faz dele o jogo da franquia com a menor quantidade de mapas no lançamento, mas a falta de conteúdo se espalha para as armas e operadores também. A quantidade aqui é ridiculamente pequena, deixando os jogadores sem muita variedade de armamento ou operador para usar nas suas partidas.

Sabemos que todo conteúdo que vier pós-lançamento será gratuito, o que é uma baita vantagem para todos que querem aproveitar tudo o que ainda está por vir, porém lançar o jogo com pouquíssimo conteúdo deixa de lado todos os fãs que começaram a jogar desde o lançamento. Novamente, talvez valha a pena esperar um pouco mais se você quiser encontrar uma casa um pouco mais mobiliada.

Embora toda a experiência acima tenha como base a versão para PlayStation 5 (PS5), gostaria de relatar também o que houve na versão do jogo para PC. Infelizmente, me deparei com diversas instabilidades na versão para computadores e, ao procurar mais sobre o assunto, muitos relataram a instabilidade também na versão de Xbox. A melhor versão do jogo é a de PS5 e vou contar que até mesmo nela vocês vão encontrar quedas de FPS aleatórias sem nenhum motivo aparente, erros de texturas e alguns gunfights estranhos que mostram uma coisa na sua tela, mas ao ver a Killcam temos algo muito diferente do presenciado.

Esta instabilidade realmente atrapalha demais a experiência e antecipo que a versão de PC está sofrendo bastante com isso, ainda se comparado ao seu irmão Modern Warfare, que possui um desempenho bem agradável em diversos hardwares. Isso chega a decepcionar MUITO em diversos momentos de gameplay.

black ops cold war
Divulgação oficial do multiplayer

Veredito

Este é um Call of Duty com uma pegada mais das antigas, o que pode agradar alguns e desagradar outros. Mas a base construída aqui é realmente muito boa, podendo ter um futuro muito agradável. Lembrando que, em dezembro, nós teremos a junção de rankings e conteúdo entre o Call of Duty Black Ops Cold War, Warzone e Modern Warfare. Isso já vai ser muito interessante para todos aqueles que são fãs do modo Battle Royale, mas ainda não estão confiantes para comprar o Cold War.

Um ponto que vale ressaltar aqui é o trabalho excelente desse jogo para a nova geração de consoles. Eu tive a oportunidade de jogar a versão de PS4, PC e PS5. Esta última com certeza é a melhor versão. Talvez a parceria entre Sony e Activision tenha o porquê disso. Mas tanto para o PS5 quanto para o Xbox Series X, o game possui a opção de 4k 60 FPS com ou sem Ray Tracing — não há muito motivo de usar sem, o jogo é bem estável — e também a opção de 4k 120fps sem Ray Tracing. E olha, vou contar que, no PC, o jogo ficou mais pesado que o anterior. Então, para rodar a 4k com tudo no Ultra e fazendo o uso do Ray Tracing, será preciso um PC bastante potente.

A campanha agrada, mas não tem momentos muito impressionantes. O modo Zombies é o que mais teve carinho e cuidado, mostrando-se muito positivo em tudo o que ele oferece. Por fim, um Multiplayer que gera controvérsias por diversos elementos que ele quis mudar. Isso tudo resume um pouco do que é o Cold War neste período de lançamento.

De maneira geral, Black Ops Cold War transmite o mesmo sentimento que temos de diversos outros projetos atuais: se tivesse um pouco mais de tempo, viria melhor. Isso está sendo algo bem rotineiro entre nossos reviews e se aplica a jogos da maioria das produtoras! Mas com certeza este é um jogo com uma base muito bem feita e que vai crescer sim no decorrer dos meses, mas infelizmente vai ser barrado porque já sabemos que ano que vem teremos um novo Call of Duty.

Gostaria de deixar uma questão antes de encerrar. Com um modo Battle Royale que vem dando muito certo, passes de batalha que estão dando certo e conteúdos sendo entregues gratuitamente, será que não está na hora da franquia parar de ser anual e começar a trabalhar em conteúdo mais como um serviço?

PRÓSCONTRAS
Modo ZombiesFalta de conteúdo
120 FPS nos consolesPouco impacto da campanha
Rankings e conteúdos compartilhadosMapas do multiplayer
Conteúdo grátis pós-lançamentoProblemas de performance no PC