Control é o novo jogo da tão conceituada Remedy Entertainment, produtora dos criticamente aclamados Alan Wake, Quantum Break e Max Payne. O game foi distribuído pela 505 games e disponibilizado para Xbox One, PC (Epic Games Store) e PS4 em 27 de agosto de 2019.

Este é o primeiro projeto da Remedy Entertainment depois do lançamento de Quantum Break em 2016, que foi uma das principais apostas do Xbox One. A empresa passou por reestruturações internas após o lançamento do jogo com o objetivo de fazer a transição para projetos multiplataformas depois de trabalhar durante praticamente uma década com a Microsoft. Control é o primeiro jogo desta nova fase da empresa e foi anunciado ao redor de muito mistério durante a E3 de 2018.

Assim como os games citados acima, Control é um jogo de ação e tiro em terceira pessoa, mas que subverte o gênero apresentando novas maneiras de gameplay.

A Nova Chefe

Complexa e com uma boa personalidade, Jesse conduz o game de maneira primorosa

No jogo, controlamos a protagonista Jesse Faden, que tem como objetivo encontrar o seu irmão Dylan Faden, que desapareceu em um acontecimento que os marcou 17 anos atrás.

No ínicio da trama, Jesse entra no prédio da FBC — Federal Bureau of Control —, que age como uma central de pesquisa e monitoramento de diversos eventos sobrenaturais. Logo quando a protagonista entra no prédio, ela acaba entrando na sala do diretor do edifício, onde o encontra caído no chão e morto ao lado de uma arma que magneticamente atraí Jesse para que ela a possua. Depois de adquirir a arma, Jesse tem diversos vislumbres onde ela acaba se encontrando diretora do prédio em que acabou de entrar — e que está em quarentena, pois um evento sobrenatural nomeado Ruído tomou conta de tudo, consumindo e distorcendo tudo aquilo que toca.

Fica a cargo de Jesse, além de encontrar seu irmão, ajudar os sobreviventes do prédio a parar a fonte do Ruído e encontrar uma solução de fuga para todos.

Ficção sobrenatural e ação estão à espera

Cenários bem iluminados ainda assim conseguem ser macabros e assustadores

Narrativamente, o jogo é muito profundo e complexo: Twin Peaks e obras de Stephen King são grandes influenciadores para o estúdio e claramente vemos isso no game. Diversos personagens são encontrados na trama e cada um tem um papel importante que, através de diálogos, conseguimos descobrir ainda mais camadas do universo e mitologia do game.

Como um jogo de ação em terceira pessoa, Control também se apresenta de forma diferenciada. Em vez de adotar um gameplay tradicional de jogos do gênero, como recarregar armas, se esconder atrás de muros e regeneração automática de vida, Control apresenta suas próprias formas de lidar com essas convenções.

No jogo, o movimento constante é muito valorizado, pois somos equipados com pulos e investidas que promovem uma movimentação rápida e fluída. O botão de agachar é muito pouco utilizado, pois a demanda de constante movimento faz com que esse botão seja praticamente inutilizado.

A vida é preenchida com diversos fragmentos que conseguimos quando derrotamos os inimigos, e como a Jesse não tem muita resistência, o constante ato de derrotar um inimigo e fazer a investida para recuperar a vida é uma estratégia bastante usada.

A arma é um grande foco do jogo também. Possuimos no jogo inteiro uma arma modular que se adapta ao gameplay conforme fazemos upgrades com diversos colecionavéis que encontramos. Escopeta, metraladora e pistola são algumas das variações. A munição da arma recarrega automaticamente conforme deixamos ela esfriar, portanto é importante mesclar os poderes da Jesse para que sempre possamos ter algo com o que atacar.

Super Heroína pela casualidade

O jogo é cheio de momentos de tirar o folêgo

Os poderes da protagonista são de grande importância para o jogo.

Jesse, de forma não muito explicada, possui poderes de telecinese, proporcionando a ela diversas possibilidades como a investida que a impulsiona para diversas direções (dash), o poder de levitar e arremessar qualquer objeto, escudos de estilhaços e muitos outros que não vou dar detalhes para evitar possíveis spoilers.

Esses poderes derivam todos de uma barra de energia com a qual o jogador deve ter cuidado para que ela não se esvazie. Caso o contrário, ele ficará de mãos atadas sem ter como revidar os golpes inimigos.

Surrealismo e geometria que comprometem

Muitos efeitos e partículas as vezes atrapalham o desempenho do jogo

O jogo é um vislumbre gráfico e sua direção de arte é soberba. Embora ele se passe dentro de um edifício, a direção de arte consegue fazer com que o game tenha diversas paisagens e locais marcantes com designs interessantissímos. A iluminação e feições fotorrealistas adicionam um nível maior de profundidade.

Control encontra sua ambição como o maior ponto negativo de seu produto final. Nas plataformas base PS4 e Xbox One, o jogo sofre severos problemas na taxa de quadros por segundo devido aos efeitos de partículas constantes. Além disso, toda vez que entrei ou saí de menus, havia diversas travadinhas que me aborreciam. Os loadings nos momentos em que acontecem as trocas de áreas ou respawn também costumam demorar de 10 a 15 segundos. No Xbox One padrão, plataforma em que tive a experiência com o jogo, esse foram os únicos problemas que encontrei.

Claramente, o jogo extrai tudo o que as plataformas atuais têm a oferecer e, assim como citado no review de Metro Exodus, está cada vez mais evidente a necessidade de um upgrade nos consoles para que esses jogos rodem de maneira mais fluída e que as empresas tenham mais liberdade para apostar em ideias inusitadas.

No PC, o jogo possuí suporte a Ray Tracing, trazendo ainda mais fotorrealismo a experiência.

Progressão Metroidvania com Upgrades

A arma é sua melhor (?) companheira na aventura

Temos que citar também que, diferentemente dos jogos anteriores da produtora que contam narrativas lineares com cenários que geralmente serão explorados somente uma vez, Control se utiliza de características de Metroidvania. Isso permite a exploração de novas áreas atrás de portas e passagens antigas que não estavam liberadas pela falta de uma habilidade ou item correto.

A personagem também apresenta uma árvore de habilidades que amplia seus poderes e capacidades telecinéticas, assim como também amplia a vida e energia. Isso colabora para a vida útil do game e incentiva o jogador a explorar cada canto do misterioso edifício.

Para que tipo de jogador é Control?

Control é um jogo para quem é apaixonado por boas narrativas que abrem margem para diversas percepções. Os fãs de um bom jogo de ação em que você se sentirá como um herói e principalmente os fãs da Remedy Entertainment também se sentirão abraçados. O estúdio conseguiu entregar mais uma vez um resultado primoroso em suas experiências interativas que, mesmo com os problemas de performance nos consoles base, tem o seu charme.


Cópia cedida pela publicadora para a produção de review.