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REVIEW – Dandy Ace traz criatividade e muita personalidade ao gênero rogue-lite

A desenvolvedora brasileira Mad Mimic, em parceria com a publicadora Neowiz, lançou o frenético e desafiador rogue-lite Dandy Ace para o Nintendo Switch e Xbox One em 28 de setembro, meses depois da versão para Steam, que saiu em 25 de março.

Responsáveis por jogos como No Heroes Here e Mônica e a Guarda dos Coelhos, Dandy Ace é o primeiro rogue-lite do estúdio tupiniquim. Com perspectiva isométrica e gráficos charmosos, o game apresenta movimentação e combate extremamente responsivos, além de um intrincado sistema de combinações de skills que possibilita ao jogador uma quantidade praticamente infinita de builds diferentes. O The Squad jogou Dandy Ace para o Nintendo Switch e você confere todos os detalhes do game no review a seguir.

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Dandy Ace oferece gameplay responsivo que recompensa destreza e conhecimento do sistema de combinação de skills. Foto: Divulgação/Steam

Um rogue-lite com profundidade

O jogador controla o teatral e excessivamente confiante Dandy Ace, um mágico extremamente talentoso e muito popular, em sua jornada para derrotar Lele, O Ilusionista de Olhos Verdes, que o aprisionou em um espelho mágico.

A história super simples só favorece o quão carismático o jogo da Mad Mimic realmente é. O humor está presente desde os primeiros segundos do game, em que o antagonista Lele tenta (sem sucesso) convencer o jogador que Dandy Ace não é tão incrível quanto dizem. Obviamente os diálogos entre personagens não teriam impacto sem o trabalho excelente de dublagem presente em Dandy Ace, principalmente em português, contando com as vozes de famosos youtubers e streamers brasileiros, como Gabi Catuzzo, Patife e Kalera.

Após uma breve cutscene, Dandy Ace ensina ao jogador as regras universais do game, que são esperadas se o jogador já experenciou algum rogue-lite. O jogador coleta Fragmentos e Diagramas Perdidos em cada fase e, se conseguir chegar ao final do cenário sem morrer, esses recursos podem ser usados para desbloquear cartas novas, habilidades e muito mais — o que aumenta e muito o fator replay.

Assim como a maioria das pessoas, meu primeiro reflexo ao começar minhas primeiras runs em Dandy Ace foi comparar o game brasileiro com o gigantesco ícone Hades, afinal ambos os jogos adotam a perspectiva isométrica e pertencem ao mesmo gênero, além de outros paralelos evidentes na gameplay em si. Porém, os desenvolvedores da Mad Mimic começaram a criar Dandy Ace anos antes da existência de Hades, e citaram jogos como Dead Cells e Transistor como as principais influências durante o desenvolvimento.

Dandy Ace oferece ritmo acelerado de combate e recompensa decisões rápidas do jogador. Foto: Reprodução/Steam

Durante seus combates através do Palácio que Sempre Muda, o jogador coleta cartas (essencialmente skills) que servem como as armas principais contra os diversos inimigos encontrados ao longo do game. E é justamente aí que está o sistema mais complexo e interessante de Dandy Ace: as cartas podem ser usadas como armas principais nos quatro slots disponíveis, ou como efeitos adicionais às quatro cartas principais, fazendo com que o jogador tenha que constantemente tomar decisões sobre quais combinações de cartas são mais vantajosas para cada momento.

Bolhas que dão stun? Projetéteis de longa distância que fazem seus inimigos ficarem inofensivos por algum tempo? Talvez uma onde de choque com efeito de poison? As combinações disponíveis obviamente variam de acordo com a sorte de cada run, mas ainda depende 100% do player customizar as cartas da forma mais vantajosa possível.

O sistema de combinações de cartas, em conjunto com a movimentação fluida e ritmo acelerado dos combates, torna a gameplay de Dandy Ace extremamente engajante, principalmente nas lutas contra os carismáticos bosses, que exigem reconhecimento de padrões rápido e bastante destreza motora. Derrotar um boss difícil com uma combinação de cartas devastadora é de longe uma das coisas mais satisfatórias que Dandy Ace tem a oferecer.

A estética de Dandy Ace

Visualmente, Dandy Ace reflete perfeitamente a personalidade do protagonista e de seu nêmesis: extravagante. A jornada através do Palácio que Sempre Muda oferece ambientes variados, mas sempre com a estética mágica e um tanto circense, o que não necessariamente agrada todos os tipos de jogadores.

Apesar da estética super coerente e charmosa (o protagonista Dandy Ace até lembra um pouco o Joker da franquia Persona), ela pode se tornar um pouco cansativa, principalmente se o jogador já se encontra mais avançado na jornada

Pessoalmente, a atmosfera de Dandy Ace me agradou, passei incontáveis horas naquele universo extravagante de mágicos egocêntricos sem grandes problemas. Porém acho justo sentir falta de uma variedade ainda maior, visto que um rogue-lite como esse exige uma quantidade de horas considerável para ser terminado.

A trilha sonora de Dandy Ace já foi a característica que menos agradou. Senti bastante falta de variedade e até de personalidade. Quando comecei o jogo, imaginei que uma trilha sonora ao sabor Persona ou Melty Blood seria perfeita neste contexto, porém a direção escolhida não foi bem essa, o que me deixou um pouco menos imerso no jogo.

Não faltam bosses com designs criativos em Dandy Ace. Foto: Divulgação/Mad Mimic

Conclusão

Dandy Ace é um rogue-lite fluido, relativamente simples e bastante recompensador. Se você já é um fã do gênero, existem chances altíssimas de Dandy Ace consumir boas horas de seu tempo livre.

O único fator que tem o potencial de ser um problema para os jogadores é a falta de variedade de ambientes e inimigos, porém se o sistema de cartas se provar tão atraente quanto foi para mim, o jogo é um exemplo muito bom do que é ser um rogue-lite bem humorado, leve e extremamente satisfatório, com profundidade o suficiente para deixar o fator replay altíssimo.

A cópia do jogo foi oferecida pela assessoria de imprensa para a produção de review.

PRÓSCONTRAS
História e personagens carismáticosPouca variedade de inimigos e cenários
Sistema de cartas engajante e profundoTrilha sonora poderia ser mais memorável
Fator replay alto
Desafiador de forma bem balanceada

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