Sete anos atrás, a Arc System Works surpreendeu o mundo inteiro ao apresentar Guilty Gear XRD Sign e sua revolucionária técnica de modelagem 3D, que dá aos personagens uma estética de anime sem precedentes na indústria enquanto se mantém fiel às bases de um jogo de luta 2D. Agora, o maior carro-chefe da desenvolvedora está de volta sob a figura de Guilty Gear Strive, que chega ao mercado em 11 de junho com versões para PC (Steam), PlayStation 4 e PlayStation 5.

Aqui, enxergamos uma Arc System Works refinada e atenta aos rumos que o gênero está tomando, especialmente sob o cenário de distanciamento social em decorrência da pandemia. Com visuais e trilha sonora de tirar o fôlego, gameplay intuitivo e o melhor modo online da atualidade, Guilty Gear Strive se apresenta não apenas como uma evolução natural da série, mas também como um passo ousado para destruir barreiras que há muito assombram os entusiastas.

O The Squad teve a oportunidade de experimentar o game antecipadamente no PlayStation 5 ao longo da última semana e vocês conferem, a seguir, tudo sobre o lançamento.

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Conteúdo raso para jogadores casuais

Antes de partir para os pontos altos de Guilty Gear Strive, é importante deixar claro que todo o seu pacote é muito fraco em conteúdo offline. O jogo traz poucas modalidades single-player, sendo elas: Arcade, Versus, Survival, Training e Mission Mode. Eu tiro o modo história desta lista porque ele não é um modo jogável — nada mais é do que um longa-metragem trabalhado no motor gráfico.

Não tem muito mistério na forma como os modos funcionam. O Arcade traz, em média, oito lutas para desbravar com um personagem à escolha. Dependendo do desempenho, o jogador pode entrar em rotas mais ou menos difíceis para enfrentar adversários diferentes e assistir interações exclusivas. A rota Extreme, em que não pode perder rounds, rende um desafio interessante e que deve dar o que falar nas primeiras semanas pós-lançamento. Embora tenha um “chefão”, ele não é necessariamente um personagem exclusivo e pode decepcionar os fãs saudosistas dos fliperamas.

O Survival, como o nome sugere, não passa de uma sequência infinita de lutas com apenas um round para que o jogador sobreviva e consiga pontuações cada vez maiores, enquanto o Training traz todas as ferramentas necessárias para estudar personagens e reproduzir situações com calma.

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Guilty Gear Strive traz um tutorial competente que ensina os fundamentos dos jogos de luta. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Sem dúvidas, o destaque fica com o Mission Mode, que funciona como o verdadeiro tutorial de Guilty Gear Strive. Em vez de jogar uma lista de combos para o jogador repetir à exaustão, o objetivo é guiar o iniciante pelos fundamentos dos jogos de luta e cumpre muito bem esse papel, além de apresentar formas de lidar com os golpes fortes do elenco. Só é lamentável que a barreira do idioma ainda exista, visto que o jogo não tem suporte a legendas em português do Brasil.

Por fim, não há qualquer recompensa interessante ao completar cada um dos modos listados e isto deve desencorajar o público casual a se aprofundar em Guilty Gear Strive. O máximo que o jogador recebe é uma moeda chamada W$, que pode ser utilizada em uma espécie de gacha para destravar itens cosméticos para o avatar de lobby, por exemplo.

Guilty Gear Strive review
O Roman Cancel está de volta em Guilty Gear Strive. Foto: Divulgação/Arc System Works

Ápice da série em gameplay, gráficos e trilha sonora

A versão antecipada apenas trouxe à luz o que eu já tinha sentido nos últimos testes Beta: Guilty Gear Strive é uma delícia de se jogar. A Arc System Works teve muito cuidado para tornar a jogabilidade intuitiva e responsiva, além de simplificar o arsenal dos personagens jogáveis. A lista de comandos é bastante direta e ilustrativa, então bastam poucas partidas para começar a entender o ritmo dos combos e a dinâmica do jogo.

O sistema de Roman Cancel, que é uma mecânica universal, também está de volta e traz liberdade para que os jogadores criem combos e situações. A profundidade de gameplay mora exatamente nesta mecânica, que leva mais tempo para ser dominada. Não vou me estender aqui, mas são quatro tipos no jogo e todos gastam uma barrinha de tensão:

  • Vermelho: emite uma onda de choque para estender combos;
  • Rosa: cancela a ação do personagem para ficar seguro ou jogadas ensaiadas;
  • Azul: deixa o adversário em câmera lenta por um breve instante;
  • Amarelo: afasta o adversário ao defender um golpe.

Uma mecânica nova e que dividiu a comunidade, no entanto, é a de Wall Break. É senso comum que o canto da tela é o lugar mais perigoso para se ficar em um jogo de luta, mas, em Guilty Gear Strive, chega um momento que a parede se quebra após alguns ataques, levando a partida para um cenário diferente e retomando o jogo neutro. A única exceção é se o agressor quebrar a parede com um super especial, pois isso garante vantagem.

Na prática, essa mecânica é apenas uma questão de costume e funciona bem dentro do design de gameplay. Ela é interessante porque torna a experiência menos unilateral — você não está simplesmente morto se ficar preso no canto. Os jogadores devem construir suas rotas de combo já pensando no que fazer quando chegar ao canto da tela.

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Os personagens são muito mais expressivos e ressaltam como a Arc System Works evoluiu sua técnica. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Os gráficos de Guilty Gear Strive são um verdadeiro espetáculo. A Arc System Works otimizou a sua técnica de modelagem que também cativou os fãs em Dragon Ball FighterZ e Granblue Fantasy: Versus. No entanto, agora há um capricho especial nos traços e na expressão dos personagens — isso fica muito evidente nas animações de entrada, vitória e especiais. Os cenários também não ficam atrás, pois estão cheios de detalhes e variedade.

Tudo que diz respeito à série Guilty Gear sempre foi muito extravagante, do design dos personagens à trilha sonora que é rock puro. Mas Strive dá um passo além: isso também é verdade nos indicadores de hits e counter hit. Na época do anúncio, os letreiros gigantes que apareciam ao fundo da luta renderam memes e críticas nas redes sociais, mas devo admitir que isso não é um incômodo quando estamos jogando. No caso do counter hit, ele até ajuda a confirmar combos e oportunidades de dano.

Guilty Gear Strive review
Guilty Gear Strive facilita a confirmação de combos com efeitos em câmera lenta. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Sem fronteiras

A maior parte dos jogos de luta espanta sua base de jogadores quando não oferece um modo online de qualidade. Um exemplo recente é Granblue Fantasy: Versus, um jogo que, por melhor que seja, foi duramente afetado pela pandemia e não conseguiu manter sua comunidade ativa por muito tempo. O principal responsável por isso foi o seu netcode de delay, que adiciona atraso na resposta dos botões dependendo da conexão entre os jogadores.

Felizmente, a Arc System Works entendeu a necessidade de um online que tenha apelo internacional e implementou um netcode de rollback de altíssima qualidade em Guilty Gear: Strive. O resultado é tão espantoso que permite que os brasileiros joguem não apenas entre si de Norte a Sul e Leste a Oeste, mas também com o resto da América do Sul, Estados Unidos e Europa.

O netcode de Guilty Gear Strive é o principal ponto de venda. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Nesta última semana, fiz centenas de partidas com o Ariel, do Combo Infinito, e a conexão apresentada foi de impressionantes 5ms e 0 quadros de rollback — é como se estivéssemos um do lado do outro. A situação foi semelhante com o apresentador Jeff Kayo, com o qual tive lutas a 12ms e média de 2 quadros de rollback. Para testar o potencial, também entrei no servidor da Europa (quase 10 mil quilômetros de distância) e tive uma série de partidas a 249ms e 6 quadros de rollback. Neste último caso, alguns teletransportes ficavam aparentes, mas as partidas foram totalmente jogáveis.

É importante ressaltar que a versão distribuída aos jornalistas ainda não continha as mudanças pós-feedback do último Beta, incluindo balanceamento de personagens e lobby online. Todavia, ainda havia problemas de responsividade relacionados ao R-Code para abrir o perfil de jogadores (mesmo com o servidor vazio), podendo demorar mais de um minuto para carregar completamente. Este review será atualizado assim que o novo patch estiver disponível, então descobriremos se o problema persistirá ou não.

Veredito

Não restam dúvidas de que Guilty Gear Strive marca uma nova etapa dos jogos de luta. Embora o conteúdo offline decepcione e o custo de entrada ainda seja elevado no Brasil, especialmente nos consoles, a Arc System Works dá um passo importante para que os próximos lançamentos da indústria também tenham olhos para uma experiência online de ponta.

Em todo o resto, os fãs podem esperar uma legítima evolução técnica da franquia. Não é exagero dizer que Guilty Gear Strive é o jogo de luta mais bonito da atualidade e que tem o melhor modo online, além de ser muito mais convidativo para novos jogadores. Os veteranos ainda podem se divertir com a versalidade do sistema de Roman Cancel e com um lobby ranqueado separado por andares, que garante que apenas jogadores de nível semelhante se enfrentem.

A desenvolvedora já anunciou o plano de lançar personagens via DLC, além de atualizações gratuitas com melhorias e modos inéditos — incluindo um que permite assistir e fazer upload de combos dentro do próprio jogo. Agora fica a expectativa para acompanhar como o game será aceito pela comunidade.

A cópia do jogo foi cedida pela assessoria da Arc System Works para review.

PRÓSCONTRAS
Melhor netcode da atualidadePobre em conteúdo offline
Gráficos refinados e de alta qualidadeModo história é apenas um filme
Trilha sonora empolganteCrossplay apenas entre PS4 e PS5
Tutorial que ensina fundamentosFalta de localização em PT-BR