É inegável que estamos vivendo um grande momento no mercado de jogos indie brasileiro e Guns N’ Runs, da desenvolvedora estreante Statera Studio, é mais uma constatação em meio a tantos lançamentos de destaque. Como o nome sugere, o novo game aposta no gênero de plataforma e tiro 2D, buscando inspiração em nomes como Mega Man, Celeste, Metal Slug e Super Meat Boy para prover centenas de fases repletas de desafio e que são um grande convite aos fãs de jogos difíceis e speedrunners. Confira, a seguir, o review de Guns N’ Runs, que chega ao PC (Steam) nesta terça-feira (30) por R$ 24,64 em sua semana de estreia.

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Guns N’ Runs é um carismático jogo de plataforma e tiro 2D que prima pelo grande desafio e velocidade. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Minimalista, mas com muita personalidade

Em Guns N’ Runs, o jogador assume controle de membros do esquadrão Conspiracy, que é designado a uma missão em um bunker no meio do deserto do Atacama, no Chile, para capturar um tecnopata terrorista chamado Adrian. De início, são quatro personagens jogáveis e todos compartilham os mesmos comandos — pulo, salto duplo, uma rápida investida para qualquer direção e tiro. Depois, é possível desbloquear outros quatro personagens jogáveis. A principal diferença entre os agentes está na habilidade especial, que é carregada ao obter cápsulas no decorrer das fases e inflige uma grande quantidade de dano. Cada um também possui uma campanha própria com diálogos únicos — tudo em português do Brasil.

Ao todo, são 200 desafios espalhados pelas fases e 23 batalhas únicas contra chefões — uma melhor que a outra e com muita variedade. Se você achava que o Dr. Robotnik, de Sonic the Hedgehog, era engenhoso, mal sabe o que Adrian guarda para você. Além disso, o tempo também é um elemento-chave, pois cada sala tem um cronômetro específico que bota pressão sobre cada escolha do jogador. Isso significa que não adianta seguir lentamente e com cuidado pelas fases: fazendo jus ao nome, é preciso correr para não sofrer uma derrota.

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Quando você achar que tudo está difícil na sua vida, lembre-se que existe a fase Acid Rain. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Os mundos do game abraçam temáticas distintas e que são características em outros jogos de plataforma, incluindo fases de choque, fogo, gelo, água, vento, ácido etc. Cada uma traz mecânicas e inimigos únicos que colaboram para deixar a jogatina interessante e fresca o tempo todo. Inclusive, se você tem aversão a fases aquáticas ou escorregadias, saiba que elas serão o menor dos seus problemas. Nunca imaginei que fases de vento e de veneno superariam os meus traumas de infância.

Não se deixe enganar pela aparência simples de Guns N’ Runs, pois fica nítido a cada sala visitada e inimigo encontrado que houve muito carinho nos seus pequenos detalhes. O jogo adota um visual em pixel art bastante agradável e que, apesar da quantidade de obstáculos pelo caminho e velocidade, não confunde a nossa visão.

Houve, também, um cuidado na composição da trilha sonora do game, que traz um tom nostálgico e também colabora para deixar a adrenalina nas alturas enquanto o jogador desvenda como passar pelos obstáculos.

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Os mundos de Guns N’ Runs trazem temáticas e mecânicas únicas – sempre com uma ótima trilha sonora. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

É da frustração que vem a força?

A dificuldade é a principal bandeira de Guns N’ Runs — mas não necessariamente a que podemos chamar de justa. Mesmo com os seus comandos simples e de fácil entendimento, há camadas de desafio que exigem cada vez mais precisão e velocidade. Como é típico em jogos neste estilo, é morrendo que o jogador aprenderá a vencer as fases e isso pode fazer do game uma experiência muito mais frustrante do que deveria para a maior parte dos jogadores. Se você não gosta de fases projetadas propositadamente para provocar a morte a menos que saiba o que vem pela frente, talvez o game não seja uma boa escolha.

Por outro lado, após insistência e algumas dezenas ou até centenas de mortes, é gratificante repetir a fase e passar praticamente de primeira pelos desafios impostos. Embora as salas pareçam impossíveis à primeira vista, há um ou dois macetes para superá-las sem maiores dores de cabeça. Todavia, volto a repetir: são coisas que vêm à nossa mente só depois de morrer várias e várias vezes no mesmo seguimento e isso pode afastar algumas pessoas.

Adrian, principal antagonista do game, inova a cada batalha contra chefão e é maior ponto positivo de Guns N’ Runs. Foto: Divulgação/Statera Studio

Considerando que o tempo é um fator-chave no game e que há até oito personagens jogáveis com habilidades únicas, Guns N’ Runs definitivamente traz um ótimo fator replay. Não há dúvidas de que ele deve fazer sucesso entre speedrunners e entusiastas de jogos como Super Meat Boy, Celeste e, em casos mais extremos, I Wanna Be the Guy.

Problema de progressão e bugs

Durante os testes nesta última semana, antes do lançamento oficial de Guns N’ Runs, enfrentei alguns problemas, incluindo um de progressão. O mais drástico foi com relação ao travamento da fase de tutorial após iniciar uma nova campanha com algum outro personagem. Ao concluir a fase introdutória, a tela simplesmente não avançava, impedindo que o jogo continuasse. Não sei afirmar se foi um problema específico no meu computador, mas fui obrigado a jogar apenas com a personagem Yumi por conta disso.

Além disso, houve outro problema menor, mas que pode incomodar jogadores mais engajados. Na fase Thunderstruck, há espécies de mísseis que são disparados de segundo em segundo em certos trechos do cenário. Em uma das salas, o piso que servia de colisão para eles não tinha carregado na parte superior da tela, fazendo com que os disparos passassem reto e atingissem o personagem. Este bug chegou a acontecer aproximadamente três vezes no mesmo local e claramente trouxe um empecilho adicional que não deveria estar ali.

Outra coisa que pode incomodar, mas que não necessariamente é um bug, é que os jogadores sempre terão uma caixa de vida à disposição após morrer no chefe. O que não faz sentido, no entanto, é que o personagem sempre volta com a vida cheia, então a caixa de vida é completamente inútil. Seria mais interessante se houvesse, ocasionalmente, algum item ou escudo em seu lugar para dar vantagem na batalha, mas não é o que acontece.

Vale notar, no entanto, que os problemas apontados acima devem ser facilmente corrigidos com uma atualização. Caso aconteçam com você, vale conversar com a Statera através das redes sociais (Twitter ou Facebook) ou reportar pelo fórum de discussão na Steam.

Atualização: logo após a publicação do review, os desenvolvedores identificaram os problemas apontados e corrigiram prontamente no mesmo dia do lançamento.

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Sim, a morte é a forma que Guns N’ Runs usa para ensinar a superar seus desafios. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Um ótimo primeiro passo

Como ressaltado logo no início do texto, Guns N’ Runs é o primeiro jogo da desenvolvedora brasileira Statera Studio e certamente é um excelente início para a sua jornada no mercado. Embora muitas pessoas que acompanham a desenvolvedora de perto estejam de olho em Pocket Bravery, jogo de luta que foi o seu primeiro projeto anunciado, Guns N Runs vem como uma ótima prévia do padrão de qualidade que podemos esperar dos seus próximos lançamentos.

O jogo entrega o que promete e garante muitas horas de diversão, sobretudo aos fãs de dificuldade. Caso você não seja fã de jogos muito difíceis, vale pelo menos testar pelo seu preço reduzido e checar se é do seu agrado. O importante, acima de tudo, é dar uma chance. Afinal, podemos estar testemunhando o início de mais uma grande desenvolvedora de jogos no Brasil.

A cópía do game foi cedida pela desenvolvedora para a produção de review.