Marvel’s Spider-Man: Miles Morales foi anunciado causando um certo conflito de informações em junho deste ano, mas que com certeza não se reflete no resultado final do produto. O novo jogo de transição de geração da Insomniac Games chega ao mercado nesta próxima quinta-feira (12) tanto para PlayStation 4 (PS4) como também para PlayStation 5 (PS5) e se apresenta como uma experiência completa em que Miles realmente é o foco de toda uma aventura baseada em reviravoltas e encontros inusitados. Saiba tudo sobre o novo lançamento da Sony Interactive Entertainment no review completo a seguir.

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O amigo da vizinhança se preparando para tirar aquela selfie. Foto: Reprodução/João Peranovich

É um novo jogo mesmo?

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales segue o mesmo princípio de alguns outros standalones que vimos no mercado, tais como InFamous: First Light e Uncharted: The Lost Legacy. Assim, ele entrega toda uma experiência fantástica com começo, meio e fim, continua a construção do universo de Spider-Man que vimos no jogo de 2018 e já prepara o terreno para o que os jogadores vão encontrar no futuro.

Então, sim: ele é um jogo completo MESMO, porém muito menor que o seu irmão mais velho! Contamos com um número de atividades secundárias bem menor que o antecessor, uma campanha bem reduzida, árvore de habilidades mais simplificada e também um número de colecionáveis bem menor, mas nada disso tira o seu brilho.

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Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é um jogo de transição de geração e marca presença tanto no PS4 como no PS5. Foto: Divulgação/Insomniac Games

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A história continua, cresce e prepara o terreno…

A história em Spider-Man: Miles Morales começa logo depois de todas as DLCs que jogamos no jogo de 2018. Nelas, tínhamos diversos diálogos entre Peter Parker, o protagonista do jogo anterior, e Miles Morales, o protagonista do jogo atual. Estes diálogos traziam um pouco do que Miles estava treinando para poder ajudar Peter no combate ao crime de Nova Iorque.

Logo que iniciamos a campanha, temos um pouquinho da interação entre Miles e Peter e assumimos o controle do novo protagonista, mas ainda acompanhado do outro Spider-Man. Logo de cara, vemos através das animações, da movimentação, do uniforme e do combate de Miles que ele ainda tem muito o que aprender. Isso se reflete até mesmo no dano que o soco do Miles dá nos inimigos iniciais.

O primeiro chefe, assim como já tinha sido revelado pela PlayStation, vem direto do primeiro jogo: o Rhino. Em um conflito frenético entre rua e shopping, vemos um pouco da interação dos dois heróis, mas, enquanto Peter foca em tentar parar Rhino, Miles foca em salvar os civis e lutar com os bandidos fraquinhos que estavam a caminho da Balsa — a prisão de extrema segurança que vimos no jogo anterior.

Porém, tudo muda quando Miles precisa entrar em ação, revelando tanto a ele como ao jogador um pouco mais de seus poderes Venom. A partir deste ponto, a história toda gira em torno de Miles crescendo como o único Spider-Man de Nova Iorque, descobrindo toda a responsabilidade de um super-herói e começando a criar inimigos no decorrer do caminho.

Miles Morales traz consigo mensagens importantes de inclusão social. Foto: Reprodução/João Peranovich

Todo o enredo é cheio de momentos incríveis que surpreendem, aliviam, tiram sorrisinhos de canto de boca e não deixa de lado a inclusão social ao apresentar personagens homossexuais ou até mudos. Mesmo que sejam personagens secundários, eu mesmo fiquei muito feliz por poder encontrá-los e saber que realmente fazem parte da história principal de alguma forma. Além disso, tamanha é a importância do desenrolar da sua história que ela até faz uma pontinha do que podemos esperar do futuro do Homem-Aranha no mundo dos games.

Com grandes poderes…

Sim, sim. Já sabemos! Mas dessa vez conhecemos os poderes de Miles Morales que vão bem além daqueles que vimos com o Peter Parker. Agora fomos apresentados aos poderes Venom! Por mais que tenham o mesmo nome de um inimigo do Peter, os poderes são provenientes de bioeletricidade e fazem com que o combate seja muito mais frenético.

Somos apresentados a estes poderes logo no início da campanha no conflito contra o Rhino, porém a maneira que Miles os descobre é bem natural, na pura força do ódio. E as novidades dos poderes não param por aí: além de socos elétricos, ele ainda ganha outras técnicas com eletricidade em situações que o próprio corpo o ensina e a incrível habilidade de ficar invisível. Olha, esta última é uma mão na roda.

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É possível desbloquear novas habilidades conforme avançar na campanaha do game. Foto: Reprodução/João Peranovich

A árvore de habilidades segue um pouquinho diferente de como a conhecemos no primeiro Marvel’s Spider-Man, mas é algo bem simples e muito intuitivo. Você conta com árvores que vão melhorar seu combate, o uso do Venom e, por último, sua invisibilidade. Para avançar nessas árvores de habilidade, basta subir de nível; a cada nível, você ganha um ponto utilizável.

Mas uma novidade que encontramos em Spider-Man: Miles Morales é a possibilidade de ter algumas habilidades passivas ou que mudam um pouquinho o que seu personagem pode fazer. Estas são liberadas ao realizar algumas atividades secundárias espalhadas por Nova Iorque, incentivando a exploração e dando mais valor às suas horas de jogo.

Vale lembrar que usar seu poder Venom drena a barrinha de habilidade especial de Miles, que é usada para recuperar vida — algo semelhante ao que vimos no primeiro jogo. Já a invisibilidade nos deu uma outra barrinha destinada exclusivamente a esta habilidade. No início, ela é drenada bem rápido, mas, ao ser melhorada, você poderá fazer mais uso dela nos combates ou para avançar furtivamente em alguma área.

Por sinal, o stealth deste jogo muda muito em comparação ao seu antecessor. Isso se deve tanto pela habilidade de ficar invisíve quanto também pelos elementos dos cenários que facilitam bastante aos jogadores que querem ir para este lado mais furtivo.

A nova geração chegou!

Eu tenho um PlayStation 4 Pro, a versão um pouco mais parruda do PlayStation 4, e todos os testes foram feitos com base nesta plataforma. Não fomos capazes de testar o jogo no PlayStation 4 comum. Tomando como exemplo o jogo anterior da franquia, é de se supor que Marvel’s Spider-Man: Miles Morales também deva correr de maneira estável em qualquer versão do videogame, porém já vemos aqui uma prévia do que a nova geração reserva aos jogadores.

A primeira coisa que notei logo de cara foi o tempo de loading — um dos grandes pilares desta nova geração de consoles. Sim, a desenvolvedora Insomniac Games conseguiu trazer à atual geração alguma otimização que nos beneficiou com um loading muito mais rápido do que o do jogo anterior. Abaixo, trago uma tabelinha que mostra a comparação do tempo de carregamento de ambos os jogos rodando no PS4 Pro.

Marvel’s Spider-Man (2018) Marvel’s Spider-Man: Miles Morales
Tempo de loading após vídeos iniciais13,35 segundos 07,79 segundos
Tempo de loading após selecionar o SAVE desejado47,60 segundos19,02 segundos

Além do tempo de loading, são notáveis algumas melhorias visuais como pele, cabelo, partículas e um pouco do cenário à nossa volta. É importante notar também que, por conta do período em que o jogo se passa, a neve trouxe um aspecto bem bonito para Nova Iorque.

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales tem loadings mais rápidos que seu “antecessor” no PS4. Foto: Reprodução/João Peranovich

Mas nem tudo são flores! Em alguns momentos bem específicos, experienciei muita queda na taxa de quadros, que tiveram um impacto negativo no gameplay. Foi sim algo bem rápido, mas foi durante um combate. Isso aconteceu em poucos momentos e bem específicos, tais como combates frenéticos e com várias coisas acontecendo na tela ao mesmo tempo.

Eu ainda tive alguns problemas com a movimentação da câmera. Me vi em diversos momentos rodeado por inimigos e a câmera não ajudava. É um tipo de problema que enfrentei poucas vezes no jogo de 2018 e agora enfrentei um pouco mais. Isso foi particularmente mais incômodo nas partes avançadas da campanha principal.

Outro tipo de problema que enfrentei, mas que pode ser resolvido com o Patch Day 1, foi com a dublagem. Em um momento específico, a Rio Morales, mãe do protagonista, começou a falar em inglês de repente. Além disso, ela também teve muito dessincronia de dublagem: a personagem mexia a boca enquanto não falava nada. Bem estranho.

Rostos novos e já conhecidos

Diversos personagens novos são apresentados durante a campanha de Spider-Man: Miles Morales, enquanto outros que já conhecemos também dão uma palhinha. Todos os personagens novos têm uma boa construção, são carismáticos e estão lá na história por um motivo. Não entrarei em detalhes para evitar spoilers, mas antecipo que TODOS são bem legais. Só tiraria da lista o Simon Krieger, líder de pesquisa das empresas Roxxon Energy. Ele aparece pouco, faz muito, mas não traz muito bem as suas motivações na história.

Um grande destaque vai para o novo grupo de inimigos do Underground. Ele utiliza um arsenal tecnológico criado pela Tinkerer, personagem apresentada logo no início da campanha e que se torna um grande problema para Miles. Ela, diferente de Simon Krieger, tem motivações muito claras e que realmente explicam suas ações.

Outro destaque vai para o amigo do Miles Morales, o Ganke Lee. Ele é seu ajudante durante toda a trajetória e até desenvolve um aplicativo chamado “Amigo da Vizinhança”, que traz algumas atividades secundárias mais facilmente ao jogador. Muitas surpresas de personagens estão na campanha e que prefiro não trazer aqui para não estragar a sua experiência.

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Miles Morales refina experiência de Marvel’s Spider-Man de 2018. Foto: Reprodução/João Peranovich

Veredito

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é uma aventura muito mais curta que o jogo original de 2018, mas que não estraga em nada a experiência final para o jogador. É tão redondinho e prazeroso que você termina a campanha sem nenhum sentimento de estar faltando algo.

Gameplay mais prazerosa, visual lindo, campanha muito bem escrita com momentos emocionantes e que constroem de forma exemplar o universo do “Miranha” no mundo dos games. De maneira geral, o jogo usa a receita já conhecida, mas adiciona tanto tempero que cria uma fórmula nova e própria do Miles.

Também vale ressaltar a escolha das músicas que trazem um feeling do próprio Miles Morales ao jogo, junto até de um tema retrabalhado que sempre toca ao viajar de teia em teia pelos prédios de Nova Iorque.

Agora, sobre o valor que precisamos pagar para jogar este standalone: vale a pena pagar R$ 249,90? Vou ser bem honesto ao dizer que sim. Seja para você comprar no PlayStation 4 ou já pensando em jogá-lo no PlayStation 5, esta com certeza será uma ótima aquisição.

PRÓSCONTRAS
Loading rápido mesmo no PS4Movimentos da câmera
EnredoErros de dublagem
Sistema de combatePouca variedade de inimigos
JogabilidadePoucas atividades secundárias

A cópia do jogo foi cedida pela PlayStation para a produção da análise.

REVER GERAL
Jogabilidade
9
Campanha
10
Gráficos
9
Dificuldade
8
Diversão
9
Trilha Sonora
9
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Um garoto bobo e sonhador com um pouquinho de vontade de conquistar uma parte do mundo! Eu sei, é estranho mesmo!