Resident Evil: No Escuro Absoluto é a mais nova série animada da franquia survival horror que estreou na última quinta-feira (10) na Netflix. Em apenas quatro episódios, a plataforma de streaming conta um novo capítulo da vida de Leon Kennedy e Claire Redfield e foi motivo de muitas expectativas dos fãs da série, especialmente por ser canônica dentro do universo da franquia. Logo abaixo vocês conferem tudo o que achamos desta nova empreitada da Capcom no meio audiovisual.

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Resident Evil
Resident Evil: No Escuro Absoluto é um bom início para a franquia no ramo do streaming. Foto: Divulgação/Netflix

O primeiro ponto que quero destacar é que No Escuro Absoluto não é uma série animada, mas um filme de duas horas dividido em quatro partes. Sinceramente, eu não entendi a decisão de separar a produção em capítulos: os diálogos são fluidos, a história é simples de entender, é divertida e nem um pouco arrastada, não havia motivos e nem necessidade alguma de dividi-la. Se eu tivesse que recomendar, é melhor assistir à animação sem pausas para ter uma melhor experiência.

Para aqueles que gostam de saber da cronologia da saga, a trama — que é oficial no universal RE — acontece em 2006, dois anos após RE4 e três anos antes de RE5. Ao longo dos episódios temos algumas referências e conexões sutis com os dois jogos da franquia e também menções aos eventos de RE2.

Leon e Claire estão em jornadas paralelas que acabam tendo relação com o incidente da guerra civil de Penamistão, um país fictício. O protagonista está um missão a mando do presidente dos EUA, enquanto a heroína está buscando recursos para ajudar os sobreviventes da nação.

Apesar de termos dois protagonistas, quem mais se destaca é o Leon. Todos os grandes momentos da história e as cenas de ação acabam acontecendo com ele, ofuscando e questionando a presença de Claire, o que é uma pena. Se a proposta era dividir o protagonismo entre a dupla, então que fizessem uma divisão equilibrada e justa, mas não é isso que acontece: o agente tem muito mais tempo de tela do que a jovem Redfield, que acaba sendo mais uma coadjuvante.

Outro ponto falho em relação à dupla é o fato do enredo não querer contextualizar quem são estes personagens. O que quero dizer é: para quem conhece a saga Resident Evil, não é preciso explicar as origens de Leon e Claire, pois existem muitos jogos com eles e que destacam quem são e suas personalidades. No entanto, uma pessoa que nunca sequer jogou um game da série pode ficar perdida. Alguns breves minutos falando rapidamente quem são Leon e Claire seriam ótimos para ajudar o espectador que está vendo pela primeira vez algo da franquia.

Mesmo com estes pontos negativos, a trama é super cativante e soube dosar muito bem os momentos de ação com os momentos de tensão. Em algumas situações da animação, estamos em corredores estreitos e horrendos e é impossível não remeter aos jogos da franquia e querer jogá-los novamente.

Por ser algo paralelo em relação aos jogos principais de Resident Evil, nós não ficamos preocupados com o destino de Leon e Claire porque sabemos que eles estarão vivos no futuro. Entretanto, ainda temos algumas reviravoltas interessantes na produção.

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Apesar de ser bastante querida entre os jogadores da saga, potencial de Claire é desperdiçado na nova animação. Foto: Divulgação/Netflix

Em relação a detalhes técnicos, a animação não deixa a desejar. A qualidade da produção é consistente ao longo dos episódios e as modelagens dos personagens estão ótimas, com destaque para Leon, Claire e Shenmei. A ambientação e a iluminação estão espetaculares e alguns cenários relembram os jogos Resident Evil. Particularmente, um lugar do seriado me lembrou bastante a mansão Baker, de RE7. Embora eu tenha elogiado o padrão da animação, ela fica bem feia e estranha em algumas situações, parecendo que estamos vendo uma cutscene de jogos para Xbox 360 e PlayStation 3 e isso incomoda bastante.

Posso dizer que a dublagem em português do Brasil de No Escuro Absoluto está excelente. As vozes dos personagens encaixam perfeitamente e os dubladores fizeram um excelente trabalho. Teve apenas um breve momento que, na minha opinião, o trabalho de dublagem não ficou bacana, mas não é nada de mais, é apenas uma cena envolvendo um personagem terciário, então podem ficar tranquilos com os principais.

No fim, Resident Evil: No Escuro Absoluto é um ótimo início da Netflix e da Capcom para com a franquia no meio das animações. Apesar de alguns pontos negativos que poderiam ter sido melhores, o seriado é bem divertido e vale a conferida dos fãs. Aqueles que nunca acompanharam nada franquia podem se decepcionar pela falta de explicação e contextualização da série.

Agora, só posso torcer para que a animação faça sucesso e que mais produções do tipo sejam feitas com outros personagens da saga, tais como Jill Valentine, Chris Redfield, Rebecca Chambers e mais.