Watch Dogs: Legion é o novo jogo da franquia criada pela Ubisoft lá em 2014, quando houve uma empolgação generalizada para um jogo de qualidade com a temática hacker. Infelizmente, todo o hype construído para a franquia na época foi por água abaixo após o lançamento do primeiro jogo, já que a Ubisoft não entregou o que foi prometido. O tempo passou, mas parece que vivemos um pouquinho daquilo que ainda assombra esta franquia. Confira, no review a seguir, os pontos positivos e negativos do novo lançamento para PC, PlayStation 4 (PS4), PlayStation 5 (PS5), Xbox One e Xbox Series X.

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Watch Dogs: Legion tem um conceito ambicioso. Foto: Reprodução/João Peranovich

Jogue como qualquer um!

O novo Watch Dogs: Legion traz uma proposta extremamente ambiciosa e nunca antes vista no mundo dos jogos: poder jogar com qualquer NPC. Esta foi a promessa feita pela produtora e o jogo realmente entrega.

Você inicia sua aventura podendo optar por um dos personagens da lista gerada randomicamente para você. Confesso que isso, logo de cara, já é bem diferente de iniciar qualquer outro jogo em que você conhece ou customiza seu personagem principal. Então o game já deixa o jogador curioso para testar tudo o que é possível fazer com o sistema de recrutamento.

A partir daí, fique livre para recrutar aquele pedinte que você encontra nos subúrbios de Londres, a enfermeira na entrada do hospital ou até mesmo o espião que está esperando seu alvo sair do Palácio de Buckingham. Todos podem ser recrutados! Ou melhor dizendo… Quase todos!

Este sistema de recrutamento gera randomicamente personagens numa base de dados GIGANTESCA que a Ubisoft preparou. Então você encontra uma descrição breve dos personagens, como nome, idade e outras curiosidades, suas habilidades, podendo ser algo útil ou não, e por fim se GOSTA, NÃO GOSTA ou ODEIA o Dedsec. E é aí que o sistema mostra aqueles personagens que NÃO PODEM ser recrutados.

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Há uma grande varieade de personagens para recrutar. Foto: Reprodução/João Peranovich

Se um personagem perfilado pelo seu celular demonstrar que GOSTA do Dedsec, basta conversar com ele para poder fazer uma missão especial de recrutamento e ele se tornará um membro da Legião. Agora, se ele NÃO GOSTA do Dedsec, será necessário realizar uma pesquisa mais a fundo, realizando alguma missão específica que faça com o que o personagem tenha interesse em falar com o Dedsec para assim liberar a missão de recrutamento. Mas, se o personagem ODEIA o Dedsec… Já era! Ele não pode ser recrutado. Então a melhor saída é matá-lo mesmo — cruel, porém real!

Esse sistema é o maior diferencial do jogo, que inova a franquia e se diferencia por completo de tudo que já jogamos até hoje, porém acaba sendo um combustível pouco potente para muitos que vão se aventurar por esta versão de Londres de um futuro próximo. Já que encontramos algumas coisinhas meio chatinhas como pouca qualidade gráfica para os personagens, pouca variedade para a dublagem em português brasileiro, frequente dessincronia da fala com os movimentos dos lábios e pouquíssima variedade de animação.

Acabamos por encontrar muita variedade visual dos NPCs, mas acaba por aí. Eu me deparei com uma variedade bastante grande de vozes na dublagem original, em inglês, mas quem jogar dublado pode ficar decepcionado ao se deparar com dois personagens totalmente diferentes conversando com a voz do mesmo dublador no mesmo momento. Talvez com um pouquinho mais de trabalho nessa área, o jogo poderia agradar muito mais.

Cada agente recrutado tem especialidades que podem ser úteis às missões. Foto: Reprodução/João Peranovich

Por fim, ainda neste sistema de personagens que vai tomar a maior parte da nossa crítica, temos as habilidades. Você vai se deparar com NPCs com habilidades exclusivas, como um espião com um relógio que desativa armas de fogo, arsenal exclusivo, armas e gadgets que só aquele personagem pode acessar, habilidades compartilhadas que você libera na aba de Tecnologias e habilidades passivas, que permitem hackear dispositivos ou até mesmo deixar invisíveis os corpos que você atordoar em modo furtivo.

Tudo isso dá pouca liberdade de customização voltada às habilidades. Você chega ao final do jogo sem se sentir realmente forte após passar horas pegando pontos de habilidades em áreas bem chatinhas de Londres. Talvez um trabalho melhor de progressão, que dê uma sensação de mais poder, pudesse ajudar e muito nessa parte do jogo.

A campanha principal de Watch Dogs: Legion oferece pelo menos 20 horas de conteúdo. Foto: Reprodução/João Peranovich

História e Sidequests

O jogo se passa em uma Londres de um futuro próximo onde ataques terroristas fizeram com que uma organização paramilitar, a Albion, tomasse o controle das ruas prometendo a pacificação da cidade. Através da tecnologia da CTOs, a mesma dos outros dois jogos anteriores, os cidadãos passam a ter todos os seus dados compartilhados com o governo e com a Albion. Tudo isso sai do controle quando os soldados da Albion usam de força bruta para impor esta segurança a qualquer custo.

Nigel Cass, o chefe da empresa de segurança Albion, é seu maior inimigo durante toda a campanha — mas não é o único! Você vai se deparar com momentos bastante delicados que envolvem tráfico de órgãos, escravidão, criação de inteligências artificiais biológicas e o grupo terrorista ZERO DAY, que coloca a culpa das explosões do início do jogo nas costas do Dedsec.

Como já deu para perceber, há diversos inimigos na campanha. Todos eles têm uma construção fantástica inicial, mas um desenvolvimento bem ruim e um final pior ainda. Infelizmente, segue muito o padrão de qualidade de inimigos que a Ubisoft tende a criar para seus jogos: eles trazem um personagem que é muito intrigante, mas que tem um desfecho que você nem se lembrará dele depois.

Já com relação às missões secundárias e de recrutamento, caímos em uma receita já conhecida há alguns anos nos games da Ubisoft. Você deve ir para uma área protegida, eliminar os inimigos, hackear uma estação ou roubar alguma coisa e sair da área. Tudo se baseia nisso. Tudo mesmo! A diversão que eu encontrei, e que talvez seja a proposta do jogo, foi realizar estas atividades variando meus personagens. Aí sim cada invasão vai ser bem diferente uma da outra.

De maneira geral, a campanha promete momentos muito engraçados, muito perturbadores, incita a curiosidade e oferece uma experiência com aproximadamente 20 horas de duração, que é um excelente tempo de jogo. Mas tudo que for paralelo a isso, que me tirou mais umas 8 a 10 horas, pode ser maçante e repetitivo demais.

Londres e Bagley são os protagonistas

Engana-se quem pensa que Watch Dogs: Legion não possui nenhum protagonista! Eu listaria aqui dois: Londres e o Bagley.

Londres foi lindamente representada neste jogo! Diversos monumentos e prédios importantes para a cidade estão lá e reproduzidos fielmente. O clima londrino, com seu céu sempre nublado e a chuva atrapalhando o dia a dia dos moradores, está muito presente e bem representado também. Jogando em inglês, a dublagem original, você vai se deparar com os NPCs usando muitos termos cotidianos também, algo que ajudou muito na construção da imersão do lugar.

Já o Bagley, a IA que nos acompanha durante todo o jogo, é de um carisma dificilmente encontrado em diversos personagens da própria produtora. Ele caiu como uma luva para nos acompanhar durante todas as ações dos nossos operadores, trazendo momentos muito divertidos às minhas horas de gameplay e que fazem gargalhar com sua ironia. Por sinal, fica minha dica aqui para quem for jogar: conheça o Badley junto com o Bagley!

No PC, Watch Dogs: Legion pesa muito mais do que deveria e pode trazer frustração. Foto: Reprodução/João Peranovich

Performance terrível, falta de detalhes e mais tempo de produção

Agora chega a parte que muitos já devem ter lido ou ouvido em outras críticas. Toda a experiência relatada até aqui foi com base na versão do game para PC e, olha… Foi bem difícil! O jogo está lindo tirando proveito da tecnologia de Ray Tracing, presente nas placas RTX da NVIDIA, porém sua performance é horrível no quesito CPU. O game sofre DEMAIS para poder chegar aos 60 frames até nas CPUs mais recentes e topo de linha.

O setup para avaliação conta com uma placa de vídeo RTX 2070 Super, 16 GB RAM e um processador intel i7 8700 e não foi o suficiente para rodar bem aos 60 quadros por segundo. A média nas configurações gráficas no Alto ficava nos 40 ou 50 quadros por segundo. O jogo parece ter sido desenvolvido focado nos 30 quadros porque é muito difícil focar nos 60!

Além disso, caso seja jogado sem a tecnologia de Ray Tracing, perde-se muito do que o torna extremamente lindo e agradável aos nossos olhos. As poças d’água pelas ruas se tornam umas manchas acinzentadas e os materiais dos objetos nos prédios ficam pálidos. Tudo lembra um pouco mais do que vimos no Watch Dogs 2 e não o que o Legion quer realmente trazer para apreciação.

O jogo possui o elemento de recrutamento como seu principal foco. A tecnologia embutida para gerar personagens randômicos, gerar linhas de áudio para eles, colocá-los em cutscenes sem ficar estranho e tudo que envolve este sistema é muito incrível! Porém o jogo peca em alguns detalhes que sempre gostamos de ver nos jogos de final de geração. Por exemplo: passos que ficam marcados no chão, fumacinha que sai do cano das armas, animações realistas e variadas, interações com o cenário de forma realista, entre outras coisas.

Os bugs ainda estão presentes, mas nenhum estragou muito a experiência de gameplay. Com exceção de momentos em que meu carro ou moto batiam em algum objeto na rua e davam 10 mortais no ar — confesso que ria bastante. Algumas cutscenes, especialmente as últimas do jogo, demoraram uma eternidade para carregar. Eu havia pensado que o jogo tinha crashado, mas era só um tempo exagerado para elas carregarem. O bom é que os loadings de forma geral não sofreram com isso — muito pelo contrário: todos foram bem rápidos.

O sentimento que fica é que um tempo a mais de desenvolvimento viria bem a calhar. Com certeza mais um adiamento poderia atrapalhar as estratégias de lançamentos da Ubisoft, mas seria fundamental para trazer um Watch Dogs: Legion com muito mais qualidade, cuidado e carinho que ele tanto merece. Talvez, no final de tudo, o game seja uma ideia muito boa que vai ser desperdiçada pela Ubisoft por conta dos seus erros.

PRÓSCONTRAS
Animações de finalizaçãoBugs
BagleyFalta de variedade de dublagem
Missões da campanhaFalta de habilidades
Jogar com uma velhinhaPéssima performance nos PCs

A cópia do jogo foi cedida pela assessoria da Ubisoft para análise.