Star Wars: A Ascensão Skywalker não é apenas o último filme que tem o dever de encerrar a história desta nova trilogia, mas também o que tem o objetivo de concluir a jornada da família Skywalker que foi contada ao longo de 40 anos. E devo dizer que não é uma tarefa fácil, assim como escrever este texto.

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Antes de tudo, vamos relembrar como terminou Os Últimos Jedi – dirigido pelo Rian Johnson. Luke Skywalker morre e se torna um fantasma da Força, Kylo Ren se transforma no Supremo Líder após matar Snoke, Poe Dameron entende o que é ser um líder, Finn aprende uma valiosa lição com Rose e Rey é a última jedi e suas habilidades e domínios com a Força são um acaso da natureza. Todos esses desfechos que os personagens tiveram dividiram a comunidade da saga entre quem amou e quem odiou

Johnson apresentou uma proposta totalmente diferente para esta trilogia que pegou os fãs de surpresa — tanto para aqueles que gostaram quanto não gostaram. O diretor tinha uma visão diferente para Star Wars, assim como J.J. Abrams — diretor de O Despertar da Força — que tinha um outro plano para a série.

Como a última esperança para salvar o episódio IX e juntar novamente os fãs, a LucasFilm chamou Abrams novamente para terminar sua história. Porém, eventos importantes aconteceram no episódio VIII que não podiam ser deixados de lado, então a missão era: conectar dois filmes anteriores e totalmente diferentes em um novo longa metragem, com o objetivo de encerrar de uma vez por todas a maior franquia do cinema. Funcionou? É o que observaremos a seguir.

O objetivo foi feito?

Sim, o arco dos Skywalker foi concluído, porém algumas decisões tomadas ao longo do nono episódio prejudicaram o desenrolar do enredo. Entre eles, está a pressa em várias cenas: literalmente no começo do longa, quando aqueles parágrafos que explicam a premissa do filme aparecem, já é informação para digerir, mas não tem tempo para o espectador processar porque, logo em seguida, na primeira cena, acontece muito mais coisa e assim sucessivamente, em vários outros momentos. Se ele tivesse mais uns 30 minutos, seria perfeito.

Personagens

Finalmente, o grupo está trabalhando junto na trilogia. Foto: Reprodução/Disney.

Sobre os personagens principais, Rey, Finn, Poe e Kylo Ren estão perfeitos. Eles ganharam mais tempo de tela, o que fez com que os personagens evoluíssem. Adam Driver é um excelente ator e é sensacional como ele consegue passar a emoção e os sentimentos do vilão. O desenvolvimento de seu personagem ao longo da trilogia é o melhor de todos e é uma pena não poder falar mais do que isso, senão teria que entrar em spoilers. A interação entre o trio de heróis (o que deveria ser o foco da trilogia) é incrível, principalmente entre Rey e Poe. Não sei porque eles demoraram para os atores contracenarem juntos, pois os personagens funcionam muito bem quando estão na mesma cena e são bastante carismáticos. Os dois se estranhando por nunca terem trabalhados em equipe foi uma sacada ótima e o Finn como mediador entre eles também é bacana. Sobre o retorno do Imperador Palpatine, ele é um fator Deus Ex Machina: ele é colocado para suprir o papel de Snoke.

Star Wars
Lando chegou atrasado nesta trilogia, porém é um ótimo fã service sua presença.

Sobre a nossa querida Carrier Fisher, a eterna princesa Leia, devido ao seu falecimento, a equipe de produção teve que trabalhar com cenas em que ela atuou e que não foram utilizadas nos dois filmes anteriores. O resultado foi satisfatório e, com o pouco que eles tinham, conseguiram dar um bom foco e destaque para a personagem. É claro que o roteiro e o planejamento foram mudados, mas não tinha o que fazer. A presença de Lando também é muito bacana, uma homenagem ao Billy Dee Williams que interpretou o personagem na trilogia original. Ele aparece em momentos cruciais que são importantes para o filme andar e para evoluir o trio principal. Seria muito bom se ele tivesse mais participação no tempo de tela. Sobre a Rose, não tem muito o que comentar: deixaram ela de lado. Sinceramente, era melhor ter matado a personagem a colocá-la para aparecer em quatro cenas rápidas. Temos alguns personagens novos que apenas estão lá e não agregam em nada para a trama, então não sei porque quiseram botar eles. Seria muito melhor usar o espaço desses personagens desconhecidos para aqueles que não tiveram tanto tempo de tela, como Lando e Rose.

As cenas de batalhas foram muito bem executadas, incluindo os confrontos com os sabres de luz e as batalhas terrestres. Senti falta das lutas no espaço, um fator tão importante na saga que também foi deixada de lado, por causa da pressa em acelerar o filme o tempo inteiro.

O alívio cômico está na medida certa, nem mais e nem menos. Assim como a épica trilha sonora, composta pelo John Williams, que aparece nos momentos perfeitos e que elevam as cenas e o que está acontecendo nelas.

Star Wars
Quando Rey e Kylo Ren estão juntos, o filme eleva bastante, os dois atores estão perfeitos. Foto: Reprodução/Disney.

Roteiro Apressado

Como mencionado antes, Star Wars: A Ascensão Skywalker é muito dinâmico e isso oferece tempo hábil para contemplar os cenários. Este é outro ponto negativo, já que, em Star Wars, os planetas sempre têm algum destaque, elementos únicos, que fazem com que o público se lembre deles. Em Ascensão Skywalker isso praticamente não acontece, exceto por um planeta que é peça chave para a narrativa. Momentos em que foram feitos para o público se emocionar e para ficarem supresos não acontecem, a rapidez em tudo é o fator que prejudica toda a experiência. Até tentei ficar emocionado em certos momentos durante a sessão, mas não consegui.

Algumas escolhas não fazem sentido, são feitas apenas para agradar um certo público, aqueles são mais hardcore e que exigiam respostas para explicar certas coisas que não foram de agrado em Os Últimos Jedi, e isto foi talvez o maior problema responsável por deixar o filme sem uma identidade própria. Devido a isso, o roteiro é um pouco covarde, pois dá para perceber que eles queriam ser mais ousados em alguns momentos, mas isso é feito e desfeito rapidamente. As mudanças nas personalidade de certos personagens que foram estabelecidos no filme anterior são ignoradas e muito mais. Até onde a opinião do espectador deve ser levada em consideração na produção de um filme?

Como dito anteriormente, J.J. Abrams tinha uma perspectiva e Rian Johnson tinha outra, que tiveram que ser unidas neste longa para encerrar toda a jornada, mas que não funcionou de certa maneira. Acredito que, se cada diretor tivesse produzido a trilogia como queria, o resultado seria bem diferente.

Conclusão

No geral, Star Wars: A Ascensão Skywalker entrega o que prometeu: a conclusão da família Skywalker iniciada em 1977, porém certas decisões e a pressa em vários momentos prejudicaram o desenrolar da história. Ele não é tão ruim assim, mas também não é tão grandioso quanto poderia ser.