Após uma intensa campanha de marketing ao longo do último ano com revelações quase que semanais, The King of Fighters XV finalmente mostrou de forma definitiva o que tem a oferecer. A franquia que é carro-chefe SNK tem vivido um impasse, especialmente após o lançamento do polêmico The King of Fighters XIV, em 2016. Felizmente, esses deslizes serviram de aprendizado e a desenvolvedora conseguiu entregar o que já considero ser o melhor jogo da série nas últimas décadas.

Ao longo desta semana, tive a oportunidade de experimentar a versão completa de The King of Fighters XV e você confere o review completo nas linhas a seguir. Vale lembrar que o jogo tem lançamento agendado para 17 de fevereiro com versões para PlayStation 4, PlayStation 5, PC (Steam e Epic Games Store) e Xbox Series X/S. Os preços da edição mais simples variam de R$ 157,99 a R$ 319,99.

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The King of Fighters XV preserva o ritmo acelerado de gameplay, mas com visuais atualizados e mais agradáveis. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

História com potencial desperdiçado

Vamos começar com o que poderia ser melhor: a história. A SNK tem reiterado que a trama de The King of Fighters XV representaria um clímax para o arco do protagonista Shun’ei e que quebraria expectativas, mas a execução está bem longe de impressionar. A fórmula não vai além de um Modo Arcade tradicional, em que é possível destravar encerramentos semiestáticos com cada um dos 13 trios canônicos.

Com o passar das rodadas, os jogadores podem assistir a cenas intermediárias pré-renderizadas que buscam cobrir o enredo principal, mas todos os acontecimentos parecem muito deslocados e sem coesão, além de faltar profundidade. Seria interessante acompanhar a perspectiva do time selecionado ao longo da competição, mas não é o que acontece.

Como já é tradição na série, o desfecho do torneio tende a manifestar algum perigo inesperado, mas nem mesmo o chefe consegue ser memorável a ponto de os zeramentos valerem a pena. O formato, vale dizer, remete bastante ao Samurai Shodown de 2019 e inclui aberturas especiais dependendo de quais lutadores estão prestes a se enfrentar.

Também é uma decepção que o animador Masami Obari, responsável pelas animações de Fatal Fury nos anos 90, tenha uma participação tão pequena em The King of Fighters XV. Ele dirigiu uma abertura em anime de altíssima qualidade para o lançamento e é uma pena que não tenha sido contratado para criar encerramentos animados para cada equipe — o que daria uma motivação maior para repetir as jogatinas.

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The King of Fighters XV entrega uma das melhores gameplays da série. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Uma nova roupagem

Muito tem sido comentado nas redes sociais sobre The King of Fighters XV ser o seu antecessor melhorado, e isso é verdade. A estrutura ainda está ali, mas a SNK teve toda uma preocupação para atualizar os visuais e deixar o gameplay ainda mais interessante e dinâmico. Nesse sentido, o resultado é muito satisfatório e deve agradar tanto fãs de longa data como também novos entusiastas.

Todos os modelos dos personagens passaram por atualizações, mas alguns tiveram melhorias mais significativas do que outros. É muito claro que os personagens que não estavam presentes no título anterior, como Isla, Dolores, Chizuru e o Time Orochi, têm visuais e animações muito melhores que o restante do elenco. O motivo provavelmente é o fato de a SNK ter reciclado muita coisa de The King of Fighters XIV.

Embora seja comum que os estúdios reaproveitem trabalhos anteriores, vale questionar se um material base tão criticado deveria ser reutilizado à exaustão. O maior problema disso está nas animações de Clímax, que são os especiais mais poderosos. Vários tiveram suas animações literalmente replicadas quadro a quadro, então claramente faltou carinho para dar maior identidade a alguns personagens.

Por outro lado, o ritmo de gameplay é bastante divertido e fisga os jogadores logo nos primeiros minutos. Aqueles que já têm familiaridade com a série conseguem pegar o jeito dos personagens rapidinho. Já os iniciantes devem sofrer um pouco com a exigência de realizar inputs precisos. O jogo não traz um grau de tolerância nos comandos como em Street Fighter 5, então os movimentos devem ser feitos da forma mais limpa possível. Isso pode render algumas frustrações nas primeiras horas devido à dificuldade para fazer especiais e seus cancelamentos.

Alguns retoques no sistema de jogo colaboram para que The King of Fighters XV seja um dos melhores games da franquia. O principal deles é a possibilidade de usar especiais Ex livremente, sem a necessidade de estourar barra. É como se fosse uma mistura do que há de melhor na série em termos de gameplay. Em outras palavras, essa mudança dá mais liberdade para criar combos e aproveitar oportunidades de dano.

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Elenco de The King of Fighters XV é um dos seus aspectos mais positivos. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Grande elenco

Se tem um departamento que realmente quebra expectativas em The King of Fighters XV é seu elenco de lutadores selecionáveis. Vários rostos há muito tempo esquecidos estão de volta, com destaque para Chizuru, Krohnen (antigo K-9999), Yashiro, Shermie, Chris, Elizabeth e Ash Crimson. Os personagens inéditos também são bastante cativantes — especialmente a Isla, que é a rival do protagonista Shun’ei.

E não deve parar por aqui, pois a SNK já revelou a intenção de alimentar o game com temporadas de conteúdo. Quatro times adicionais estão previstos só para 2022, incluindo o Team Garou com Rock Howard, Gato e B. Jenet e o Team South Town, com os icônicos Geese Howards, Billy Kane e Yamazaki.

Quem tiver curiosidade pode conferir a lista completa de lutadores no site oficial da SNK. É certo que algumas surpresas também estão por vir, ainda mais se os vazamentos recentes se confirmarem. Vale ficar de olho e acompanhar como The King of Fighters XV se desenvolverá daqui em diante.

Só é uma pena que o Modo de Missões, que traz desafios de combos com cada um dos personagens, não seja muito profundo e sequer cubra todo o arsenal de especiais. São apenas cinco desafios disponíveis e o jogo não aborda maneiras mais eficazes de encaixar um combo. Aqueles que querem aprender a jogar com alguém novo acabam tendo uma ideia muito rasa do que o lutador é capaz de fazer.

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The King of Fighters XV garante um modo online de qualidade com netcode de rollback. Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Finalmente é possível se divertir online

Hoje em dia está muito claro que as desenvolvedoras de jogos de luta reconhecem a importância de um bom modo online em seus lançamentos. Felizmente, a SNK não está atrás e implementou o tão comentado netcode de rollback para garantir que os jogadores tenham partidas responsivas com um leque maior de adversários. A qualidade já tinha sido atestada nos últimos Betas de The King of Fighters XV e a experiência segue excelente na versão completa.

É possível escolher entre diferentes modos online, incluindo partidas ranqueadas, casuais ou salas para se juntar a amigos. Há, ainda, o retorno do modo de grupo que coloca seis jogadores em uma mesma partida, sendo que cada um controla um integrante do trio. Esse modo era bastante problemático em The King of Fighters XIV e agora deve funcionar melhor com a implementação de um netcode decente.

Conclusão

The King of Fighters XV não quebra expectativas, mas é feliz ao entregar um produto muito superior ao antecessor e se destaca como o melhor lançamento da franquia em muito tempo. Os jogadores mais casuais podem se decepcionar com a superficialidade do Modo de História, mas todo o resto garante que o game seguirá sendo jogado por bastante tempo. Afinal de contas, os jogos de luta se sustentam com a pancadaria.

A mensagem que fica é que a SNK está em uma constante evolução. Ainda há margem para melhorar, especialmente em gráficos e animações, mas o resultado não deixa de ser satisfatório e os fãs têm motivos para ficarem empolgados.

O jogo foi testado no PlayStation 5 e a cópia foi fornecida pela assessoria de imprensa para review.

PRÓSCONTRAS
Visuais agradáveisHistória fraca e esquecível
Gameplay divertidoMasami Obari deveria ter participação maior
Online de qualidadeAusência de crossplay
Excelentes escolhas de elencoExcesso de animações recicladas