O primeiro ano da primeira animação da Marvel Studios foi concluída nesta quarta-feira (6). Com 9 episódios no total, What If apresenta versões alternativas do Universo Cinematográfico Marvel caso um único momento dos filmes acontecesse de uma maneira diferente do que nos foi apresentado nas telonas. A série animada está disponível no serviço de streaming Disney+.

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Personagens conhecidos ganham novas personalidades em What If. Foto: Reprodução/Disney+

Para começar, o estreante na família Marvel, Jeffrey Wright, dá um show como o Vigia — personagem que nos acompanha ao longo das 9 aventuras. Nos quadrinhos, após um fatídico evento, a raça dos Vigias decide que nunca mais irá interferir nos assuntos do universo, apenas anotar e observar o que está acontecendo nos cosmos. Aqui não é diferente, ele apenas vê e narra para nós o desenrolar das tramas do multiverso.

Entretanto, ainda é peculiar notar como o ser cósmico se comporta com alguns dos protagonistas e suas histórias, criando uma empatia com certos personagens que ele não esperava ter. Ainda assim, senti a falta de um desenvolvimento maior para o Vigia. Ele é o único personagem fixo na animação, todavia, faltou um aprofundamento para ele e também um contexto dele para aqueles que não o conhecem dos quadrinhos.

Assim como Star Wars: Visions (confira a nossa review do anime), What If funciona com episódios independentes, porém, aqui, todas as aventuras apresentadas fazem parte do canon oficial da Marvel Studios. Anteriormente, um dos roteiristas do projeto havia confirmado que a produção fazia parte sim do UCM. Então se você é fã da Marvel nos cinemas, você não pode deixar de conferir o desenho pois há boas chances dele ser citado em vindouras produções.

Particularmente, eu gostei e achei interessante todos os capítulos da primeira temporada. É óbvio que alguns episódios são bem melhores que outros pela proposta e ousadia que eles têm ao trazer algo inédito para os fãs, que nos fazem surtar e criar teorias. No entanto, até as tramas mais simples possuem algo de intrigante nelas e nos conquistam.

Mesmo assim, não posso deixar de comentar que mostrar diferentes do universo Marvel apenas com os elementos do UCM, não foi a melhor opção. Limitar uma animação, como What If, em que a criatividade é a principal característica, com apenas personagens e eventos dos filmes é um pouco frustrante e decepcionante. Eu entendo querer guardar a estreia de alguns personagens importantes da editora para futuros longas-metragens, contudo, no meu ponto de vista, não haveria problema em colocar heróis e vilões totalmente desconhecidos no meio dos episódios.

Outro ponto negativo é a duração de todos os capítulos. Em média, eles variam entre 25-35 minutos, e acho que foi pouco tempo para algumas jornadas. Sintetizar filmes de 2 horas em meia hora no máximo, não fez bem para os enredos. Alguns capítulos até conseguem ser concluídos nesse tempo, porém, outros nem tanto e o resultado final é episódios apressados e aventuras incompletas que claramente precisavam de mais minutos para o desenvolvimento completo, tais como o da Capitã Carter e Marvel Zombies. Eles são bons, mas se tivessem 10-15 minutinhos a mais, eles seriam melhores ainda.

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Personagens secundários se tornam protagonistas na primeira animação da Marvel Studios. Foto: Reprodução/Disney+

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A trilha sonora também não é muito marcante. Mesmo que seja a mesma faixa dos filmes do UCM, aqui, elas não brilham tanto assim. São deixadas bem de lado, o que é uma pena, pois várias cenas da Marvel nas telas só ficaram marcadas graças às músicas que têm nelas.

Em relação à dublagem, ela está impecável. Eu assisti o programa com áudio original em inglês e muitos atores da Marvel retornaram para os seus respectivos papéis na animação. Entre os destaques estão Chris Hemsworth como Thor, Benedict Cumberbatch como Doutor Estranho e Hayley Atwell como Capitã Carter. Além deles, também temos o saudoso Chadwick Boseman, que participou de vários episódios, e nos deixou tão cedo.

Apesar de termos vários intérpretes de volta em What If, não é possível deixar de notar a ausência das vozes de Robert Downey Jr., Chris Evans, Tom Holland e Scarlett Johansson. Acredito que por questões de contratos, os artistas não retornaram, mesmo assim, os novos dubladores do Homem de Ferro, Capitão América, Homem-Aranha e Viúva-Negra fizeram um excelente trabalho substituindo os artistas e se encaixaram perfeitamente nos personagens.

Tecnicamente, a animação está ótima. Em um primeiro momento, ela pode causar um estranhamento nas pessoas pelo seu estilo 3D, que tenta emular os rostos dos atores da Marvel Studios. Os primeiros episódios podem passar uma sensação estranha enquanto os estamos assistindo, mas é apenas uma questão de costume para os nossos olhos. Ao longo dos capítulos, a qualidade da produção vai aumentando e o ápice dela acontece nos dois últimos episódios, em que temos um show de cores, luzes, luta, explosões e fluidez.

A qualidade técnica de What If não chega aos pés das produções animadas de Star Wars, como Rebels e The Bad Batch, porém ela também não deixa a desejar.

Embora eu tenha citado vários pontos negativos da produção, ela não é ruim. É um bom começo para a Marvel Studios no ramo de animação. Victoria Alonso, vice-presidente do estúdio, disse que eles pretendem abrir uma divisão voltada apenas para animações em breve. Com tempo e investimento, tenho certeza de que será uma área com bastante potencial para explorar.

No fim, What If entrega histórias cativantes para os fãs que acompanham a jornada do estúdio há mais de dez anos. Apesar de faltar ousar em alguns momentos, a primeira temporada da animação encerra com um saldo bastante positivo e vale a conferida. O segundo ano da produção já está confirmada, mas não tem uma previsão de lançamento.