Sem deixar o público se recuperar emocionalmente da aquisição da Activision Blizzard, a Microsoft divulgou um relatório que indica um patamar recorde em sua divisão de games. A receita total gerada pelo ecossistema Xbox em 2021 chegou a US$ 16.2 bilhões, sendo US$ 12.6 bilhões provenientes de serviços, principalmente o Game Pass. 

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Com ajuda do Game Pass, divisão Xbox registra receita recorde em 2021. Foto: Reprodução/Daniel Ahmad

Apesar do peso expressivo na receita de serviços (77% do total), o aumento mais significativo ficou na venda de consoles. Com a geração atual tendo seu primeiro ano completo em 2021 e com a constante expansão atrativa dos negócios da Microsoft, os modelos Series X│S venderam mais e alcançaram US$ 3.7 bilhões em receita, um aumento de 63,3%.

É possível estimar que as vendas dos dois modelos combinados cheguem a 12 milhões de unidades, colocando a nova geração da Microsoft na 24ª posição no ranking geral de vendas de consoles segundo apuração do VGChartz — apenas duas posições atrás do PS5, com 18 milhões de unidades.

Ainda, os números de hardware dos consoles Xbox One são automaticamente desconsiderados do cálculo geral apresentado, muito por conta da queda acentuada em 2019, agravada pela nova geração em 2020.

A divisão Xbox já conta com mais de 30 estúdios sob seu guarda-chuva, com foco no Game Pass. Foto: Divulgação/Microsoft

Game Pass: motivos e jogos de sobra

Ficou claro há bastante tempo que o Game Pass é o núcleo da divisão Xbox e o grande foco de todas as ações da equipe. É também o principal responsável pelo crescimento da receita total nos últimos anos. Impulsionado pela venda de consoles, o Game Pass ainda está longe de atingir um estágio que providencie lucro a Microsoft, mas prova ser um serviço que manterá números variando apenas para cima.

A assinatura é quase obrigatória para todos os usuários (One e Series) por conta de seu custo benefício e apresenta um potencial de fuga muito baixo. O único ano que representou queda mínima na receita do Game Pass em comparação com o período anterior foi 2019, quando foi registrado um regresso geral nos ganhos totais da divisão. Quem é usuário tende a continuar assinando, e quem adquire um novo hardware da empresa ou se interessa pelas ofertas apresentadas no PC acaba entrando nas estatísticas de forma quase natural.

Com o Game Pass chegando à marca de 25 milhões de assinantes (PC + Consoles), dá pra esperar que os dados cresçam de maneira mais agressiva, visto os recentes incentivos com a compra de estúdios e publishers. Quanto aos consoles, continuarão representando uma parcela mais modesta da receita da divisão, com aumentos mais tímidos ao longo dos anos.

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Gráfico mostra receita da divisão Xbox ano a ano. Foto: Reprodução/Daniel Ahmad

Prevendo o futuro

O Game Pass demorou cerca de seis anos para alcançar 25 milhões de assinantes. Não é arriscado dizer que dobrará esse número em metade do tempo. Ainda que a previsão pareça ambiciosa, vale ressaltar que dificilmente a Activision Blizzard foi o último grande movimento da Microsoft. Com novas aquisições no horizonte e o custo-benefício ficando cada vez mais evidente para consumidores, a parcela de jogadores atraídos pelo ecossistema crescerá exponencialmente, incluindo pessoas vindas de outros consoles e até mesmo públicos que não se interessam tanto por games, mas veem vantagem nos serviços do Xbox.

Nos consoles, mudanças tendem a ser mais conservadoras. É possível afirmar que, se não fosse o desejo de expandir a influência em países que apresentam conexões não tão rápidas de rede, a Microsoft já teria sido bem mais incisiva em sua tentativa de transportar os serviços para a nuvem com o XCloud. O que podemos esperar a curto prazo é a tendência dos consoles focados no digital, sem drivers para mídias. Não seria surpresa se um hipotético modelo “slim” do Series X fosse direcionado totalmente ao Game Pass — como é o Series S, por exemplo.

Em resumo, a receita da divisão de games da Microsoft deve continuar crescendo com os anos. Andando junto, os serviços continuarão sendo a base de tudo e os consoles serão pouco a pouco deixados mais de lado. Bem aos pouquinhos, um passinho aqui e um driver a menos ali, mas vão. É interessante observar como a divisão Xbox se desenvolve a partir de aquisições e vendas de uma assinatura que anos atrás era um assunto quase impensável. 

O fato é que a Microsoft “obriga” a indústria a se portar de forma diferente. Se antes era possível ignorar o lado verde, hoje isso não pode passar pelos pensamentos. Enquanto existir competição, mesmo que separada por quase US$ 70 bilhões, a indústria só tem a ganhar com as (muitas) mudanças que virão.